Fisioterapia III

Criado: Segunda, 03 Maio 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Fisioterapia II

Criado: Sexta, 30 Abril 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Perigo Imediato

Criado: Sexta, 09 Abril 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Curitiba fechou de novo devido à pandemia em 3 de março, em 26 nossa empregada soube que uma irmã estava com COVID-19, seu teste deu positivo e, desde então, não está vindo para cá. A partir daí, sozinha Silvia teve de cozinhar, cuidar de quatro dependentes, fazer as meninas assistirem as aulas virtuais, etc, às vezes quase chegando à exaustão. Por essa causa e porque não tivemos sintomas, não fizemos o teste RT-PCR e decidimos esperar para testar os anticorpos depois. Vê-la muito cansada, a preocupação com o que poderia ocorrer – temi menos adoecer e morrer do que isso acontecer a ela e ter de criar Clara sozinho – e pouco ou nada poder fazer me deixou tão estressado que tive aftas e distensões musculares. Estas só acabaram quando o período mais crítico de 6 dias acabou, embora só hoje não haja mais a possibilidade de adoecermos. Em seguida, o fechamento foi atenuado e as meninas voltaram ao colégio.

Após o fim dessa tormenta, pensei em como estaria se continuasse vivendo em Recife e concluí que estou mantendo o equilíbrio, nesta pandemia, basicamente graças a Silvia e Clara e a momentos como o mostrado neste vídeo.

Filha Radical II

Criado: Sábado, 13 Março 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Para horror de Silvia, quero que Clara salte de paraquedas, voe de asa delta e parapente, etc, mas nunca dei um piu com esta sobre isso. Do nada, dias atrás esta começou a nos perguntar se queríamos voar de asa delta, rindo respondi que sim enquanto Silvia tentou demove-la da ideia, não conseguiu e ficou invocada. Na última quinta, Silvia deu um antigo binóculo, Clara foi observar a rua pela varanda, notou a grade de proteção da janela, aquela explicou que é para não cair para fora e morrer, e esta respondeu “mas eu gosto de paraquedas” – me limitei a gargalhar. Não sei de onde Clara tirou tais ideias – será que foi do DNA?

Aulas e Brincadeiras

Criado: Sábado, 13 Março 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como milhões de mães e pais, a pandemia nos colocou num dilema quanto à volta às aulas presenciais no início de fevereiro. Há unanimidade entre os pediatras que tal retorno deve ocorrer, mas notei inquieto que nenhum cita pesquisas científicas sobre a variante P1 em crianças e, de fato, ao responder um comentário meu no Instagram um deles disse que estas ainda não existem e que se baseiam só na prática clínica – mesmo assim, quando os vejo falando tenho a impressão de que se referem ao SARS-Cov2 em geral, e não especificamente à P1; mais tranquilizador é ver médicos enviarem os próprios filhos a colégios. Apesar disso, mandamos as meninas ao colégio, percebi uma melhora imediata no comportamento de Clara, em especial a recuperação de parte de sua independência perdida, e que ela estava sendo mais prejudicada pelo isolamento social do que imaginávamos.

Durante o carnaval, Clara passou um bom tempo brincando comigo, me dando a impressão de que sentiu minha falta. Na segunda-feira daquele período, a suspendi pelos quadris, o que ela achou muito divertido, ficamos cerca de uma hora nos embolando no chão, com brincadeiras que tipicamente os pais fazem com os filhos – mais brutas do que as das mães – sem ela se incomodar que às vezes eu a machucasse ou arranhasse involuntariamente. Enfim, Clara superou o medo do contato físico, corporal comigo, o que eu desejava há anos.

No fim daquele mês, as escolas do Paraná fecharam de novo. Quando o antigo colégio de Clara começou a dar aulas virtuais, ela as assistia com alegria mas, dessa vez, começou totalmente dispersa e até se negando a fazê-lo, o que nos perturbou demais. A primeira filha de Silvia tem, entre outros problemas, TDAH e muitas vezes esta vê um comportamento dispersivo de Clara como sinal desse distúrbio, o que não tem nexo e, mesmo também estando perturbado, tratei de acalmar esta. Nos dias seguintes, Silvia mais uma vez mostrou-se uma mulher incrível e, apesar de ter que trabalhar, foi conseguindo que Clara se concentrasse nas aulas. Na reabertura dos colégios, ficamos num vai-não-vai, desorientados, até que assumi a responsabilidade pelas meninas irem.

Na manhã desta terça, Silvia levou suas filhas ao dentista enquanto fiquei entretendo Clara. Brincadeiras de pai exigem muito fisicamente, pois suspender ou carregar uma criança de 17 kg cada vez mais ousada cansa demais, preciso prestar atenção em limitar minha descoordenação motora e me causaram uma distensão na coluna lombar. De novo notei que fica mais organizada quando minha presença se sobressai: nas semanas anteriores, ao tirar algo do baú de brinquedos Clara deixava uma bagunça mas, nesse dia, os guardou todos, só tirou uma boneca e até ajeitou as almofadas – ao saber disso, Silvia me falou “você é o brinquedo dela, não precisa de outros”. Clara gostou tanto que, após as aulas da tarde, veio me chamar dizendo “vamos brincar de fazenda, você é o cavalo” e se montou em mim – ela já aprendeu com a mãe a me sacanear!laughing

Passeio na Vila dos Animais

Criado: Quinta, 11 Fevereiro 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Silvia quis levar a família à Vila dos Animais no último sábado. Já na noite anterior comecei a me preocupar com o movimento da cadeira de rodas nas trilhas do local. De fato, estas são calçadas com pedrinhas que emperram as pequenas rodas dianteiras, só sendo possível o movimento das traseiras. Mesmo se não estivéssemos com as meninas, Silvia não teria força para conduzir a cadeira assim e eu teria passado o dia todo numa plataforma de concreto sem fazer nada se um prestativo amigo da sua família não tivesse ido conosco. Bem que tentei ficar lá para não incomoda-lo, o que não consegui porque ambientes campestres – aos quais me refiro pejorativamente como “mato”– me entediam profundamente e já estar irritado por Silvia, desde o início da pandemia, só querer que eu saia para fazer “programa de índio”. Ainda assim, me limitei a pedir que ele me movesse de um ponto a outro, sem eliminar o tédio até o fim da tarde, quando inventei de andar de cavalo. Teria sido melhor para mim se tomasse mais a iniciativa – p. ex, logo depois houve um passeio de trator que eu poderia fazer, mas fiquei com receio de abusar da boa vontade dele. As meninas é quem se divertiram e eu gostaria que Clara fosse mais lá para não ficar com medo de bicho.

Poesia

Criado: Sábado, 23 Janeiro 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Um dos inúmeros dons de Silvia é escrever poesias e hoje fez esta a meu respeito:

As palavras que saem de seus pés,
Por sobre a tábua encantada,
São tão sensatas!
Assombram-me!
Metem-me em brios.
Não raras vezes quero me esquivar de ouvir essa realidade
Que chega pelos seus pés.

É uma característica minha sobre a qual já tinha feito um post, mas de modo objetivo, sem a sensibilidade dela.

Fisioterapia

Criado: Terça, 19 Janeiro 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Dor Eliminada

Criado: Quinta, 14 Janeiro 2021 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Voltei à fisioterapia com relutância (pelo risco da COVID-19) em setembro, mas as dores que motivaram tal retorno apenas se atenuaram. Tenho desgosto da minha magreza e, semanas atrás, para tentar engrossar os braços comecei a exercitá-los com um peso de mão de Silvia. Inesperadamente esse exercício fora da fisioterapia eliminou as dores, embora exista um problema ortopédico, possivelmente uma fusão de vértebras – quando meu pescoço fica em algumas posições, sinto um comichão na ponta dos dedos da mão esquerda.

Atribulações do Cotidiano

Criado: Terça, 29 Dezembro 2020 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Na madrugada do penúltimo sábado, Clara pediu à mãe para abrir a porta do seu quarto dizendo que estava sem ar. Silvia entrou aflita no nosso quarto contando isso e logo pensamos em COVID-19. Ao ir à sala, vi que Clara parecia estar dormindo tranquilamente e respirando bem, pensei que aquela poderia ser uma afirmação sem nexo que crianças de 4 anos muitas vezes fazem, mas não cuidei de acalmar Silvia e a mim mesmo, a deixei sair para procurar um oxímetro em três farmácias, não encontrou e, ao voltar, comprou um pela Internet. Clara acordou sem problema algum e eu bem que poderia ter evitado esse transtorno.

Dias depois, Silvia começou a apresentar dor na parte de trás do ombro esquerdo. No último sábado à noite, quando estávamos a sós com as meninas, ela falou “Ronaldo, acho que preciso ir ao hospital” achando que era um infarto. Comecei eu mesmo a passar mal, mas, dessa vez, mantive o equilíbrio e a mandei usar o oxímetro para checar seus sinais vitais, que estavam normais. A dor era muscular e acabou na noite de segunda, após ela tomar uma taça de vinho. Um dia Silvia ainda vai me matar de susto!

Por não ter bons movimentos finos, além de outros problemas, a primeira filha de Silvia vive danificando coisas no nosso apartamento, ela a advertiu inúmeras vezes para tomar cuidado com as gavetas do armário da sala e, mesmo assim, quebrou uma ontem. Como este foi caro, assim como seria seu conserto, e os danos são frequentes, Silvia se desesperou, chorou muito, ficou literalmente se esfolando para recolocar a gaveta no lugar sem sucesso. Percebi que poderia ajudar a recolocação, fui para perto, vi que devia usar o pé em vez da mão, Silvia demorou um pouco para tentar de novo e, quando botou o lado direito, enfiei um pé embaixo da gaveta para sustentar esta enquanto ela encaixava o outro lado; foi um movimento tão exato e sutil – algo raro dadas minha paralisia cerebral e a tensão da situação – que Silvia não o notou. Só então ela se acalmou, mas a gaveta ficou sem trava e agora pode machucar seriamente o pé de alguém.