Noite Horrorosa

Criado: Segunda, 09 Dezembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

No penúltimo sábado à noite, Silvia quis ir à Casa do Papai Noel, uma exposição natalina em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Logo que entramos lá, comecei a temer que minha cadeira de rodas virasse com Clara no meu colo, porque o terreno era cheio de aclives e declives e as junções das lajes tinham muitos desníveis, fazendo as rodas dianteiras se engancharem nestas com frequência – só conseguimos andar pelo parque porque incontáveis pessoas nos ajudaram, como é típico dos curitibanos, embora o atendimento que recebemos dos funcionários da entrada tenha sido péssimo. Fiquei o tempo todo preocupado em segurar firme uma mão na outra em torno de Clara, até nos trechos planos do caminho, nos quais era desnecessário. À medida em que o tempo passava e nada de errado acontecia, me perguntava porque continuava tenso, perturbado – era intuição de pai! Quando já estávamos indo à saída do parque, Silvia se lembrou que faltava pegar a foto que tiramos com o Papai Noel, ao subirmos um aclive mais acentuado ela quis mudar de direção e perdeu o controle da cadeira, que virou de lado – mas a força que ela fez atenuou a queda, a roda lateral e minha espasticidade (rigidez muscular) me impediram de sofrer um impacto no chão e meu rígido braço direito protegeu Clara, de modo que esta só levou um susto e eu, um arranhão superficial na mão. O nervosismo resultante me deu uma forte dor de cabeça.

Silvia gosta de filmes de terror e eu, não. Após chegarmos em casa e Clara ir dormir, concordei em assistirmos um baseado num livro de Stephen King, um escritor que ela também gosta, que era tão escabroso que eu virava a cabeça para não ver algumas cenas e levou ela própria a se sentir mal. Não pude deixar de exclamar “que noite horrorosa!”.

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Pula-pula no Sofá

Criado: Sábado, 30 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

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Ensaio de Dança

Criado: Sábado, 23 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

No próximo sábado, Clara fará uma apresentação de dança pelo colégio, ontem quis ensaiar comigo e o resultado ficou hilário – a música é “Não se Reprima” do Menudo. Ela me associa mesmo à alegria e qualquer atividade lúdica, divertida a faz pensar em mim.

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Pilates

Criado: Sábado, 23 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Minha fisioterapeuta é eclética e, ontem, quis que eu fizesse pilates ou pelo menos um arremedo disso.

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Sentimentos sobre um Vídeo

Criado: Sábado, 23 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Silvia resgatou este vídeo de outubro de 2017. Apesar de (ou porque) sempre termos curtido intensamente cada momento com Clara, sentimos muita saudade e vontade de ter outros filhos. E me entristeci ao ver que, naquela época, conseguia pegar e tocar Clara, antes da minha descoordenação motora leva-la a evitar isso.

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Declaração de Amor da Filha

Criado: Quinta, 21 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta semana, me entristeci algumas vezes pelo distanciamento afetivo de Clara. Ontem à noite, Silvia foi jantar com as colegas de trabalho – só as mulheres – e fiquei cuidando de Clara com a ajuda da nossa diarista. Pouco após as 21h, para Clara dormir propus a ela assistir Malévola no sofá, o que inicialmente não deu certo e deixei a TV num canal aberto para a diarista ver. Minutos depois, esta a convenceu, ao se deitar no sofá Clara me pediu para botar o filme, passou a acariciar minha cabeça, falou em voz baixa “papai, eu adoro você” – foi a primeira vez que ela disse isso espontaneamente – e logo dormiulaughing

Enquanto Clara me acariciava, tentei fazer o mesmo na sua perna, mas ela rejeitou e, com um pouco de tristeza, fiquei pensando se algum dia vai superar o medo do meu toque.

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Estranha Simpatia

Criado: Sexta, 15 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Crianças de até 2 ou 3 anos sempre simpatizaram comigo, sorriam para mim, não sei porquê. Neste ano, duas amigas das filhas de Silvia que moram no nosso condomínio, que têm 7 anos, passaram a me abraçar, do nada – nesse caso, intuo que tenha algo a ver com eu ser pai, mas não sei como.

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Alegrias de Pai

Criado: Domingo, 10 Novembro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Ontem de manhã, enquanto comíamos Clara ficou, rindo muito, me falando de brincadeira “mamãe é uma baratinha(ou minhoquinha), né?”, o que me fez pensar em como é bom ver uma filha espelhar, herdar características nossas que são boas – nesse caso, alegria, bom humor e facilidade de rir.

Clara continua gostando de ficar no meu colo quando estou na cadeira de rodas, mas, com seu crescimento, é um peso cada vez maior para Silvia conduzir – algo que deve ser evitado até esta retirar a hérnia que tem no abdome – e às vezes fica me machucando. Uma solução é colocar nela uma coleira infantil segurada por Silvia; outra, se esquecermos da coleira, é Clara segurar minha mão. Tentei a segunda solução algumas vezes, sem sucesso porque a descoordenação motora me fazia machucar sua mão, até que, ontem à tarde, o consegui num shopping center – fiquei todo faceiro ao andar (de cadeira de rodas) de mãos dadas com minha filha pela primeira vez. Num elevador desse shopping center, Clara mostrou a foto que tiramos com o Papai Noel de lá, mostrando os pais sem dá a mínima para minha deficiência.

À noite, após ver Silvia me beijando sentada no meu colo, Clara veio me beija e acariciar.

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Exposição Escolar II

Criado: Sábado, 26 Outubro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta manhã, fomos a outra exposição na escola de Clara, sobre os cinco sentidos. Lá, não vi outra criança tão alegre. Também notamos que ela beijou e/ou abraçou todos colegas e professoras. Nas duas vezes que entramos na sua sala de aula, ela tentou ajudar a levantar a parte frontal da minha cadeira de rodas. Na saída, uma proprietária e diretora do colégio me falou algo como “Clarinha é uma figura” e foi beijada e abraçada por ela. Fiquei com a sensação de que estamos conseguindo educa-la bem.

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Natação Suspensa

Criado: Sexta, 25 Outubro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Deixei de fazer natação nesta semana, pouco depois do que eu previa. Agora, as filhas de Silvia estão passando uma semana com o pai, outra conosco e, quando ficam aqui, ela estava tendo de levar 4 dependentes a destinos diferentes, o que era muito estressante e cansativo. Mais grave, após a retirada da vesícula Silvia desenvolveu uma hérnia no abdome e precisa reduzir o esforço físico que faz. Espero que esses meses em que nadei me deixem dois ou três anos sem asma, embora duvide um pouco dessa expectativa porque estou mais velho e é questionável extrapolar a experiência passada. Estou triste, inclusive porque, quando recomecei a natação, percebi que os benefícios iam bem além de melhorar a respiração.

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