Com pouco tempo em João Pessoa, percebi que, para boa parte, senão a grande maioria dos nordestinos o calor é um sofrimento e o frio, um sonho, tanto que os restaurantes, colégios, lojas, etc, colocam o ar condicionado em até 15ºC, o que inclusive é um fator de doenças respiratórias – foi assim que peguei um resfriado em janeiro. Não chego a gostar de frio – conheço alguns que gostam – e acho que o calor me incomoda mais, mas este não deixa de ter efeitos positivos.

Devido ao frio, em Curitiba costumávamos dormir com um lençol, um cobertor e uma coberta grossa e nunca aprendi direito a me virar na cama sem descobrir Silvia, do que ela frequentemente reclamava. Pelo mesmo motivo, se dormisse perto da janela acordava com um problema de garganta por causa do ar frio, o que me fez escolher o lado esquerdo da cama, com o risco de bater em Silvia com minha “mão assassina” (a direita) e a consequente tensão para controla-la. Como minha respiração é ruim, às vezes ronco e faço outros barulhos à noite. Por esses motivos, em Curitiba muitas vezes eu dormia no sofá-cama, na sala, para não atrapalhar o sono de Silvia, o que só não era permanente porque ela sentia minha falta. Aqui em Cabedelo, o clima quente faz com que eu sequer use lençol na maior parte do tempo, permitiu que dormisse no lado direito da cama, deixando livre e relaxada a respectiva mão – isso foi premeditado por mim –, e Silvia diz que os meus barulhos diminuíram bastante, de modo que ainda não precisei dormir fora do quarto e, sem todas aquelas roupas, até tive a impressão de nossa cama ficou maior.

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