Diálogo

Criado: Sábado, 08 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Há pouco, no carro de Silvia ocorreu mais ou menos o seguinte diálogo quando comecei a acariciar o ombro dela:

– Não põe a mão na mamãe – Clara disse com ciúmes.
– Por que, filha? – Silvia perguntou.
– Papai é safado. Safadinho.
– Aí você tem razão, filha.

Já estou desmoralizadolaughing

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A Segurança do Pai III

Criado: Sexta, 07 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Vinha pensando que Clara estava deixando de gostar de andar no meu colo enquanto Silvia conduz minha cadeira de rodas. Porém, na terça-feira, ao sair do carro ela falou “adoro o colinho do papai” e fiquei todo derretido.

Ontem à noite, quando Silvia foi buscar sua filha mais velha no colégio, inesperadamente Clara optou por ficar em casa sozinha comigo. Como sempre, essa situação me deixou apreensivo e pensando um monte de besteiras, como “o que farei se Silvia sofrer um acidente de trânsito e for hospitalizada (ou algo pior)?”. Ela não me deu trabalho algum, exceto choramingar no momento em eu quis ir ao banheiro e tive de voltar para seu lado – então percebi que não foi com a mãe por sentir-se segura comigo. Não deixei de notar a contradição entre o medo que tenho nessas circunstâncias e a segurança que passo para Clara.

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Entrevista

Criado: Domingo, 02 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

A fan page de Rodrigo Mule publicou esta entrevista comigo em 26 de abril.

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A Segurança do Pai II

Criado: Domingo, 02 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara fez duas apresentações em festas da escola, no ano passado, e ficou imobilizada de medo da plateia, do que até rimos. Ontem foi a festa junina do colégio e, enquanto esperava para subir ao palco, Clara buscou segurança no meu colo em vez no de Silvia, o que me surpreendeu porque, até então, isso só acontecia na ausência da mãe e já tem consciência da minha vulnerabilidade física – a função psicológica da figura paterna de dar proteção prevaleceu. Dessa vez, Clara enfrentou a plateia e dançou, embora não dê para saber em que medida foi pela segurança que transmiti, pois Silvia fez muitos preparativos – comprou um vestido bonito, conversou com ela, etc.

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Reaproximação

Criado: Sexta, 31 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara voltou a se reaproximar de mim após a viagem a Recife, brincando mais comigo.

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Cartas Desconcertantes

Criado: Terça, 28 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Passamos meu aniversário em Recife, minha melhor amiga não pôde ir, o que me entristeceu, mas deu o melhor presente que eu poderia ganhar nas atuais circunstâncias – as cartas que escrevi antes desta ter e-mail e que serão um material precioso para meu livro. Tais cartas começaram em 1989, resistiram a quatro mudanças de endereço desta amiga e me foram devolvidas quando já estávamos no carro, indo ao aeroporto para voltar a Curitiba.

Há seis dias, à noite nossa maior diversão é ler juntos tais cartas, que depois são fotografadas por Silvia e salvas na “nuvem” por mim. Essa leitura tem me despertado uma profusão de sentimentos que muitas vezes não consigo expressar, fico sem saber o que pensar. Para mim, o que mais se destaca é o quanto soube mudar meu modo de ser e de pensar, minhas ideias e atitudes, de acordo com as oportunidades que surgiram – sobretudo a psicoterapia, a difusão da Internet e o sucesso do meu site, em particular com as mulheres, na década de 1990 – e alcançar meus objetivos. Por outro lado, combinando o que lê nas cartas com suas próprias lembranças de quando éramos amigos virtuais, em 2000, Silvia me falou “você costuma conseguir o que quer” – obviamente, com ajuda de familiares, amigos, conhecidos e até estranhos. Sempre rejeitei, critiquei que me atribuam o rótulo de “vencedor”, entre outros, mas agora é assim que me sinto e, para aumentar a ironia, meu primeiro nome – que detesto e não uso – tem justamente este significado. É desconcertante!

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Calçando o Pai

Criado: Domingo, 12 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

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Fisioterapia com a Filha V

Criado: Quinta, 09 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

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Normalidade Estranha II

Criado: Segunda, 06 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

A principal conclusão a tirar do último post pode ser que é preciso vivenciar tudo que pode dar errado no desenvolvimento de uma criança para saber o quanto a “normalidade” é difícil, incomum, e valorizar esta. Talvez supusesse que não poderia gerar, criar e educar uma filha saudável e psicologicamente equilibrada, e um indício disso é a paranoia que tive após seu nascimento, de que ela pudesse ter alguma lesão cerebral. Assim, um dos motivos da minha felicidade por ter Clara é a surpresa com sua “normalidade”.

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Normalidade Estranha

Criado: Quarta, 01 Maio 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

No fim de 2004, na primeira conversa com uma namorada fora da Internet comecei a descrever minha família, a cada problema que ouvia aquela exclamava “que legal!” e fui ficando invocado até termos um diálogo como este (esqueci as palavras exatas):

– Por que você acha “legal” cada problema da minha família? – perguntei.
– Porque todos são diferentes – essa namorada respondeu.
– Em que meu irmão é diferente? – o acho o único “normal” da família.
– É adotado.

Àquela época, para mim há muito a adoção dele já era trivial, mas ficou ressaltada para tal namorada porque preferia ter filhos adotivos a biológicos, como, aliás, Silvia (Freud deve explicar isso, embora eu não saiba bem como). Aquele episódio ilustra porquê, por ter paralisia cerebral e uma família cheia de problemas – além de considerações mais abstratas –, me desabituei com a normalidade ao ponto de precisar fazer esforço para não colocar aspas nessa palavra e sempre tenho em mente a frase de Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”.

O comportamento da primeira filha de Silvia é dificílimo e alguns aspectos deste foram absorvidos pela segunda, apesar de eu achar que, para ela, esta é a “filha ideal” – ou era antes dessa absorção. A própria Silvia é “normal” em tudo, menos no seu relacionamento comigo. Assim, ela também está um pouco desacostumada com a ‘normalidade”.

Na manhã desta terça, após comer sentada no chão Clara se levantou e foi botar o prato na mesa. Foi um gesto banal, mas depois tanto nossa empregada – cuja filha também é problemática – quanto eu o comentamos com Silvia, encantados, já que precisamos falar, repetir, nos esgoelar para as outras meninas o fazerem. Esse é só um dos exemplos de atitudes “normais” de Clara que deveriam passar despercebidos, mas que nos surpreendem. A “normalidade” pode ser bem estranha!

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