Afastamento

Criado: Sexta, 21 Dezembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Não consegui mais embalar Clara no carrinho, porque ela não me deixa pegá-lo, em contraste com o que acontecia até o início do ano. Ela deixou de vir espontaneamente para meu colo porque, quando o fazia para assistir vídeos no Youtube, ao tentar aproximar o tablet muitas vezes eu fazia movimentos descoordenados que a assustavam ou incomodavam. Pelo mesmo motivo, Clara parou de me beijar e abraçar. Este afastamento, ocorrido neste ano, causado por minha descoordenação motora vem me entristecendo.

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Voltando a Embalar

Criado: Terça, 18 Dezembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Há muito tempo, o carrinho de Clara estava em desuso e, sábado à tarde, Silvia o utilizou para a levar à piscina do nosso condomínio. À noite, para mexer comigo Silvia voltou a botar Clara no carrinho, logo eu quis balançá-la, mas Clara só queria que a mãe o fizesse, para minha tristeza. Silvia foi fazer outra coisa, Clara se distraiu, parou de implicar comigo, peguei o carrinho, adormeceu em poucos minutos e, desde então, repeti isso duas vezes. Na escola, ela está habituada a dormir em torno do meio-dia, fica irritada quando não o faz, nas férias parece que o único jeito de manter tal rotina é eu embalá-la, sinto vontade disso para tentar reaproxima-la de mim, mas não sei se dará certo nem se seria bom.

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Lendo para Papai

Criado: Segunda, 03 Dezembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Neste fim de semana, Clara ficou e brincou bastante comigo, inclusive de ler – nesse caso, imitando Silvia. Ainda não sei se isso foi coisa de momento ou indica uma tendência a uma proximidade maior comigo, mas me alegrou.

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Brincando com a Filha

Criado: Segunda, 19 Novembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Para mim, tem sido difícil encontrar um modo de brincar com Clara, pela falta de coordenação motora e o medo de machucá-la. Meu irmão, que é seu padrinho, está acabando de passar cinco dias em Curitiba e brincou bastante com ela. Hoje, após brincar um pouco com ele Clara resolveu faze-lo comigo por cerca de meia hora, me levando a achar que talvez tenha aprendido que pode fazer brincadeiras com figuras masculinas, como o pai – o tempo dirá se essa barreira foi realmente quebrada.

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Tiara

Criado: Quinta, 15 Novembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

O que a gente não faz por amor?
Esse das fotos é o meu irmão.

 

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Mão Suicida

Criado: Quarta, 31 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Mesmo se estiver sentado quieto, parado, alguém com paralisia cerebral corre o risco de subitamente machucar a si próprio e quem estiver perto, devido à descoordenação motora, sobretudo se tiver atetóide (movimentos involuntários) – e tenho principalmente no braço direito. Ontem, no Mercado Municipal fui tentar usar a prancha de comunicação com a mão esquerda, involuntariamente enganchei a direita nos aros da roda da cadeira, passei vários segundos com muita dor, não pude dizer a Silvia o que acontecia, até que puxei esta mão, que ficou com alguns ferimentos. Referindo-se a um antigo filme de terror, às vezes Silvia brinca que esta é uma “mão assassina”, porque parece ter vontade própria e já bateu nela em várias ocasiões – agora parece que virou também suicidalaughing

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Comunicação entre Pai e Filha

Criado: Quinta, 25 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Frequentemente, deixamos uma comida com Clara enquanto ela assiste vídeos do Youtube, às vezes se esquece do alimento e a lembro emitindo um grunhido ininteligível e fazendo um gesto de braço meio descoordenado. Provavelmente, uma pessoa de fora não entenderia esse ato de comunicação, mas Clara aprendeu seu significado me vendo dizer a Silvia que ela estava esquecida da comida em uma ou duas ocasiões.

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Senso Excessivo de Responsabilidade

Criado: Sexta, 19 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Entre a noite de terça e a manhã de quarta, houve um problema grave aqui em casa – que não vou descrever para preservar nossa privacidade – que implicou um sério risco para Clara, embora na terça eu tenha conseguido isolá-la do perigo. Na quarta, passei a maior parte do dia me sentindo fisicamente mal, talvez porque não tenha encontrado um modo de protege-la, apesar de nada de errado haver ocorrido com esta. Em Recife, também passava por situações familiares extremas, mas o estresse resultante não chegava ao ponto de ser somatizado com tanta frequência quanto acontece aqui e venho me perguntando porquê.

Silvia já disse “você cuida mais de mim do que eu de você”, ”dou mais trabalho a Ronaldo do que ele a mim”, etc – evidentemente essas afirmações não correspondem à realidade e sua única gota de verdade é que não sou só um dependente de Silvia, mas também responsável por ela e suas filhas, embora a responsabilidade que mais pesa seja Clara. Por outro lado, muitas vezes me vejo incapaz de resolver ou atenuar os problemas que surgem, por ter paralisia cerebral e baixa renda. Talvez devesse me isentar um pouco desse contexto, mas minha personalidade vai na direção oposta, de querer abarcar tudo, exigir muito de mim mesmo. Assim, acho que a resposta é ter um excesso de senso de responsabilidade combinado a uma aguda consciência das minhas limitações físicas e financeiras.

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Brincando de Cavalinho

Criado: Quarta, 17 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara teve um problema nos olhos – que pensamos ser conjuntivite, mas o oftalmologista disse que era uma alergia –, passou dois dias sem ir à escola, ontem minha fisioterapeuta mais uma vez a aproveitou como instrumento de trabalho e um dos exercícios foi brincar de cavalinho.

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Preocupação da Filha II

Criado: Quarta, 10 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta manhã, nos dirigimos à garagem do nosso prédio, Silvia me deixou na cadeira de rodas enquanto colocava Clara no carro, esta pensou que eu ficaria sozinho ali, começou a chorar, aquela a acalmou falando que eu sairia com ambas e Clara disse “Naldo, senta aqui (no carro)”. Silvia foi no carro comentando que não sabia se essa preocupação de Clara comigo – que começou já no seu terceiro semestre de vida – é boa ou ruim e concluiu que não deverá ser um peso, pelo meu bom humor e riso fácil – esta já adquiriu a segunda característica. Desde a gravidez, eu não queria que tal preocupação existisse, ainda mais tão cedo, mas não sei como evitar, pois Clara percebe perfeitamente minha vulnerabilidade.

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