Vulnerabilidade Lembrada

Criado: Segunda, 04 Março 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Fazia muito tempo que não sentia o quanto somos vulneráveis a qualquer acidente, doença, etc., que possa acontecer a Silvia. Foi o que ocorreu ontem, quando ela acordou com uma dor na altura dos rins que, ao longo do dia, aumentou e se espalhou para outros pontos do seu corpo. Como estávamos sozinhos com Clara, era domingo de carnaval, muita gente a quem podíamos recorrer tinha viajado, no dia seguinte suas filhas voltariam da casa do pai e a empregada não viria trabalhar, comecei a temer que a situação se tornasse emergencial, me comuniquei com nossa diarista e a deixei de sobreaviso – como se acha a Mulher Maravilha e resiste a admitir ajuda externa, Silvia não gostou dessa atitude. Felizmente, hoje a dor praticamente acabou, mas ainda estou preocupado com a possibilidade de Silvia estar com um problema que exija uma cirurgia, por menor que seja.

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Livro

Criado: Terça, 26 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Desde que comecei a usar uma máquina de escrever elétrica em 1980 – digitar eletronicamente desde 1996 –, ouço que deveria publicar um livro sobre minha vida, sugestão que nunca fui capaz de seguir, não sei exatamente porquê e os motivos que darei a seguir podem ser mera confabulação, ao menos em parte.

Jamais achei que minha história valesse um livro antes de casar com Silvia e ser pai, embora antes a paternidade me apavorasse. Essa razão ficou clara ao refletir por quê o comecei só em novembro e concluir que foi então que senti que nosso casamento será duradouro, inclusive sem acabar num desastre. Naquele mês, digitei o prefácio espantosamente numa única tarde, em seguida empaquei no início do primeiro capítulo usando as férias das meninas como desculpa para parar a digitação do livro, a retomei na última semana, fiquei uns quatro dias reclamando que estava penosa, travada, difícil até que, na sexta, adquiriu ritmo próprio, uma lógica interna. Nesse processo, descobri outros possíveis motivos do bloqueio: detestei minhas infância e adolescência, guardei pouquíssimas lembranças destas e até me é desagradável tentar recorda-las; não gosto nada da ideia de expor os assuntos da minha família – isto é, pais e irmãos, pois Silvia já me liberou para falar de tudo; e estabelecer um ponto inicial.

Estimulada por eu ter começado o livro, Silvia ensaiou escrever um seu e, ao comparar ambos os esboços, comentou que meu estilo é mais descritivo e objetivo. Tal comentário me deu dois maus pressentimentos: que meu livro não chegará às cem páginas e vai encalhar, não vai vender um único exemplar, porque vai faltar sentimento – sou muito bom em descrever e compreender processos psicológicos, o que já encantou inúmeras psicólogas, mas sempre naquele estilo. Mas não há como saber se o livro será um fracasso ou sucesso, primeiro preciso digita-lo – depois é que vou pensar como o publicar, vender, etc.

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Derretimento

Criado: Sábado, 16 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Isso me derrete todo.

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Transações Complicadas

Criado: Quinta, 14 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Sempre me encarregaram de comprar passagens aéreas, mas desde que as empresas de aviação criaram limite de tempo para as sessões de compra isso se tornou extremamente difícil. Mesmo que, em outras condições, consiga digitar a quantidade exigida de dados no tempo determinado, a mera existência desse limite me deixa tenso e aumenta minha espasticidade, me impedindo de terminar a tarefa no prazo estipulado. Nas últimas vezes que tentei, fracassei e fiquei irritado demais – nesta terça, saí do computador batendo nas coisas ao meu redor.

Em Banco 30 Segundos, reclamei de ter de digitar um código de segurança em tão pouco tempo. Felizmente, depois o Itaú desenvolveu aplicativos que embutem o gerador desses códigos, resolvendo o problema.

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Pedindo Beijo

Criado: Quarta, 13 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Ontem à noite, quando Clara ia dormir falei algo remotamente parecido a “beijo” virando o rosto e apontando para minha face, o que ela entendeu perfeitamente e me beijou. A convivência reduz a importância da fala na comunicação.

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Ritos de Amor

Criado: Quinta, 07 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Agora, temos conseguido que Clara me beije ou abrace quando sai para o colégio e vai dormir – ontem, a derrubei enquanto me abraçava, o que não posso deixar que se repita para ela não mudar tal comportamento. É uma reaproximação ainda tênue, pois Clara ainda não me permite acaricia-la, mas me alegra.

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Beijos no Pai

Criado: Domingo, 03 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Algum tempo após começar a beijar, Clara deixou de me dar beijos porque se machucou com meus óculos e descoordenação motora várias vezes. Hoje, espontaneamente ela me deu muitos beijos sabendo evitar os óculos, o que foi uma alegria para mim. Ela está aprendendo a lidar com minhas limitações.

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A Segurança do Pai

Criado: Sábado, 02 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta manhã, Silvia saiu para uma reunião na escola de Clara. Nossa diarista está aqui para fazer a faxina e fiquei observando se isso era suficiente para acalmar Clara. Ao ver que não, fui para a sala, passei a ver um jogo, Clara quis algo que a diarista não entendeu, chorou e foi se consolar botando a cabeça no meu colo. Então desci do sofá para ficar perto do tablet, Clara se sentou no meu colo e se tranquilizou. Ainda dou segurança a ela.

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Coordenação Motora e Ligação Afetiva

Criado: Sábado, 02 Fevereiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

A principal base da ligação de uma criança pequena com os pais é o contato físico carinhoso, o que exige movimentos finos e é justamente isso que minha descoordenação motora atrapalha, como esta foto ilustra. Fico me perguntando em que medida vou conseguir superar esse problema.

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Solidariedade ou Piedade

Criado: Quinta, 31 Janeiro 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Desde que vim morar em Curitiba, noto que a classe média daqui oferece muito mais ajuda às pessoas com deficiência do que em Recife e Fortaleza, e sem o tom de piedade e/ou estranhamento que é comum nestas duas cidades – também senti essa solidariedade maior no Beto Carreiro World, em Santa Catarina. Isso me surpreendeu mais porque, quando vão ao Nordeste, os habitantes do Sul geralmente falam que os nordestinos são mais solícitos – não com quem tem deficiência.

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