Na manhã de um domingo desses, Clara bateu cedo na porta do nosso quarto, me levantei sonolento para ir ao banheiro, apesar do sono fui ficar com ela em seu quarto para ver se Silvia dormia mais. De fato, ela passou uns 90 minutos comigo antes de chamar a mãe de novo e percebi que minha presença ainda a tranquiliza.

Isso não deveria me surpreender, pois Clara fica sozinha comigo desde o segundo mês de vida – na época, ficava apavorado nessa situação, Silvia dizia “Ronaldo é a única pessoa em quem confio para deixar Clara” e eu tinha vontade de responder “você não sabe o que está dizendo”. Obviamente aquele pavor acabou há muito tempo, mas fiquei apreensivo na penúltima semana, quando fomos à praia com uma cunhada minha, Silvia foi caminhar com esta e deixou nossa filha aos meus cuidados – exceto ter esquecido minha prancha de comunicação no carro, não havia motivo real de preocupação porque a praia tinha pouca gente e Clara é cautelosa, até meio medrosa. Para se entreter, Clara pegou um pedaço de telha para escrever na areia “eu amo meu pai Ronaldo”.

Nesta quarta à noite, caí na gargalhada e Silvia danou-se ao ouvirmos Clara falar “papai é o mais inteligente da casa”. Ela sempre colocou Silvia nessa posição – o que provavelmente está mais perto da realidade – e nunca me considerou particularmente inteligente, o que às vezes fazia me sentir diminuído. Acho que sua percepção a esse respeito mudou porque venho a ajudando (e cobrando) nas tarefas escolares de casa.

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