Silvia gosta de desenhar, o faz bem, há três meses veio me mostrar o desenho inacabado de uma versão feminina de São Jorge, uma amazona num cavalo espetando um pequeno dragão com uma longa lança, e falou:

– Agora preciso encontrar uma imagem de dragão para me basear.
- É só olhar para mim – respondi, rindo.

Ela discordou totalmente. Depois, achei curioso que nem sua filha mais velha, cuja relação comigo não é das melhores, me acha feio, do contrário teria o dito no ano passado, quando teve uma grande oportunidade para tanto. Porém, uns 99,9% das mulheres devem ter a opinião oposta😉

Minha deglutição é difícil, muitas vezes engasgo, tusso e algum pedaço de comida atinge outra pessoa que está à mesa – algumas dessas situações constrangedoras acabam tornando-se anedotas. Por essa causa, há algumas semanas Clara disse “papai é o nosso Dragão de Komodo”!😄

Meses atrás, minha enteada mais nova teve um pico de felicidade e ficou saltitando no corredor do apartamento. Ninguém, nem mesma esta entendeu aquilo até eu dizer que foi por causa do fim do mal-estar da menstruação. Caí na besteira de me gabar perguntando “viu como entendo as mulheres?”, o que a fez falar “o tio entende tanto as mulheres que vai acabar virando uma”! Essa foi lasca!

Quando Clara me chamou de Dragão de Komodo, Silvia se tocou que não conseguia fazer um milésimo das brincadeiras que faz comigo com os outros dois homens com quem teve relacionamentos prolongados. Quase sempre rio dessas brincadeiras e, às vezes, intencionalmente me comporto como o bobo da corte. Então me perguntei como tenho autoridade aqui em casa com tal comportamento. Os psicólogos diriam que é pela minha masculinidade, mas acho que a resposta é mais complexa, tendo a ver também com cuidado, equilíbrio, etc.

Mas é cada uma que tenho de ouvir...

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