De vez em quando, alguém com paralisia cerebral angustiado, aflito por não ter relacionamentos amorosos me pede ajuda e fico sem saber o que dizer. Para começar, só tive sucesso com as mulheres de 1999 a 2009 – minha história com Silvia começou em 2000 –, embora uma tenha se apaixonado por mim antes desse período e outra, depois. Isso se dava pela Internet, principalmente porque meu site ganhou alguma fama, e após o foco desta passar para redes sociais tal sucesso acabou. A maioria das que se interessaram por mim o fez espontaneamente, com nenhum ou poucos jogos de sedução da minha parte, nos quais sou péssimo, quase desastrado – ter repelido involuntariamente Silvia naquele ano o exemplifica e posso citar vários outros erros imbecis que cometi. Obviamente isso implica que tenho atrativos fortes o suficiente para funcionarem independentemente das minhas intenções – a própria deficiência física o foi para algumas mulheres –, mas os compreendo só em parte, alguns parecem inatos, outros desenvolvi com propósitos inteiramente diferentes de atrai-las – e eu teria muita dificuldade em ensina-los. Por fim, mesmo na época em que eu nada tinha conquistado que considerasse significativo muitas vezes diziam que era um exemplo, uma lição de vida, prova da existência de Deus, etc, o que me fez adquirir certo anti-heroísmo, uma aversão a fazer generalizações a partir da minha trajetória pessoal – não dou para ser coach! Nas ocasiões em que uma pessoa solicita minha ajuda nessa questão, acabo eu mesmo ficando angustiado, tanto por saber como é sofrido a falta de sexo e amor quanto por ter bem poucos conselhos a dar.

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