Na última quinta, no colégio de Clara botaram uma sombra com glitter nos seus olhos que causou uma alergia e, na manhã seguinte, ficaram inchados  – ela já tinha sido maquiada inúmeras vezes e foi a primeira que teve problema. Pensamos que não era grave, a mandamos à escola mas, no fim da tarde, a coordenadora ligou para Silvia dizendo que Clara queria voltar para casa antes do horário normal porque estava com algum mal-estar. Após Silvia sair para buscar sua segunda filha, botei uma almofada no meu colo na qual fiz Clara se deitar e dormir – fico derretido quando isso acontece. Na hora em que Silvia chegou, pedi para coloca-la na cama para eu poder jantar e Clara insistiu em continuar no meu colo, embora logo depois tenha se despertado com o movimento da casa. Já de madrugada, Silvia foi ver como Clara estava, se assustou porque as pálpebras incharam tanto que o olho direito não se abria e a levou imediatamente a um hospital, enquanto que, numa reação desproporcional – era mesmo só uma alergia –, pelo nervosismo, preocupação, frustração por não poder acompanha-las, etc, senti um aperto tão forte no peito que temi infartar. No sábado, Silvia me contou que, lá, Clara chorava dizendo “eu quero meu pai, eu quero meu pai...”.

Um dos temas mais recorrentes deste blog era que Clara tinha se afastado muito de mim devido à minha descoordenação motora – na verdade, foram pouquíssimas as ocasiões em que a machuquei, graças ao cuidado que tomo. Dado meu estilo de escrever objetivo e conciso, talvez os posts sobre o assunto não deixassem transparecer a desolação, a profunda tristeza que esse problema me dava, a ponto de pensar que poderia ser permanente. Ainda há uma tensão – que agrava minha descoordenação – nos momentos em que trocamos carinho e que não existia com outras crianças com quem convivi ao longo da vida, talvez porque tive de lidar com ela desde que era recém-nascida, algo que foi meio apavorante para mim. De qualquer forma, em grande parte foi resolvido, seu vínculo comigo tornou-se bem forte.

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