No fim do Século XX, quando meu site dava muita mídia, diante do meu bom humor e riso aberto uma repórter de um jornal de Recife me perguntou se era feliz. Não soube responder, pois achava até o próprio conceito de felicidade vago, indefinível e nunca a tive como objetivo – buscava coisas mais palpáveis. Depois é que li alguns artigos plausíveis sobre felicidade. Uma das lições que aprendi desses textos é que um erro defini-la como posse de objetos, pois, quando se consegue eles, passa-se a desejar outros, embora um mínimo de bem-estar material seja necessário. Hoje, para mim é nítido que não soube responder àquela pergunta porque não era feliz e que me tornei nos últimos quatro anos que vivi lá, quando fiz novas amizades, passei a ter uma renda estável e que me permitiu ter sexo com regularidade, mas sempre me queixava a meus amigos da falta de uma namorada, do amor de uma mulher. Ao (re)encontrar Silvia minha felicidade se completou e duplicou com Clara.

Às vezes fico aterrorizado com a pandemia de CONVID-19 e pelo Brasil ter um presidente nazista, que acha esta uma ótima oportunidade de se livrar de idosos, doentes, pessoas com deficiência e outros indesejáveis – sem o isolamento social, a economia terá uma contração pior. Apesar disso, nos últimos dias tenho me sentido feliz – obviamente, um dos motivos é ter os recursos e privilégios da classe média. Mas também assim é porque, ao menos desde os 20 ou 30 anos, sempre soube o que é importante para mim, meus desejos não mudaram após serem realizados e não eram excessivamente de objetos.

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