No primeiro dia deste mês, fomos ao colégio de Clara para assistir uma apresentação de sua turma. Ao me ver, a coordenadora contou que Clara tinha falado antes que eu iria, após o evento ela subiu no meu colo, alegremente chamou a atenção dos colegas para estar nele e me locomover de cadeira de rodas – talvez se sentisse como se estivesse num trono. É nítido que Clara se orgulha de mim e, embora tenha perfeita consciência das minhas limitações físicas, as encara como dados da natureza, neutros ou até bons – como andar no meu colo na cadeira de rodas –, ainda não desenvolveu o conceito de “deficiência” e muito menos imagina os significados que tem na sociedade. Passei os últimos dias preocupado com o choque de realidade que Clara levará daqui a alguns anos, já que consideramos inevitável que sofra bullying por ter um pai com paralisia cerebral e, por enquanto, não sei o que fazer para atenuá-lo.

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