Assinatura a rogo no HSBC

Criado: Domingo, 04 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

No penúltimo de 2014, o HSBC finalmente respondeu minha pergunta sobre o uso da impressão digital com “assinatura a rogo” para abrir uma conta, dizendo que a aceita. Assim, o Bradesco e o HSBC são os únicos bancos que a aceitam; no Itaú e no Banco do Brasil isso depende da cabeça do gerente de cada agência e dos advogados que consultar; o Santander recusa; e a Caixa Econômica Federal não respondeu.

 

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Pequenos Infortúnios

Criado: Domingo, 21 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Tinha o hábito de tomar café duas ou três vezes ao dia e bebia coca-cola com frequência, coisas que precisei parar de fazer há 18 meses ao começar a ter refluxo gástrico e me restringi a café descafeínado. Na última quarta, faltou descafeinado, tomei um cappuccino de manhã sem saber que meu corpo tinha se desacostumado com a cafeína e tive um ataque de espasticidade (rigidez muscular) que durou o dia todo, o que me obrigou a adiar todas as operações bancária para o dia seguinte pelo risco de errar e bloquear as senhas e o token.

Na tarde da quinta, a descoordenação motora me fez levar um corte na parte inferior da mão esquerda, logo antes do polegar, no prego da maçaneta do banheiro. Se fosse a mão direita, ainda daria para não usa-la para engatinhar, mas a esquerda é imprescindível para isso e, nas 24 horas seguintes, tive de me locomover com uma mão em cima da outra para não tocar a ferida no chão. Fiquei me sentindo como um quadrupede manco!

Há duas semanas, fui ao banheiro engatinhando de madrugada, meu braço falhou e bati com força a têmpora na parede do box. Após a dor passar e me certificar que não estava me sentindo mal, voltei para meu quarto sem chamar ninguém. Um ou dois dias depois, percebi que a têmpora estava doendo ao ser tocada e botei gelo, o que não adiantou. Esqueci a dor e uns dias depois ela acabou.

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Assinatura e Impressão Digital

Criado: Domingo, 07 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Não compreendo a resistência dos bancos – assunto de um post recente – em aceitar a substituição da assinatura pela impressão digital para fazer contratos financeiros e de abertura de contas mediante “assinatura a rogo” de testemunhas, afinal uma assinatura pode ser falsificada e a impressão digital, não, tanto que eles próprios estão implementando sistemas de segurança baseados nesta. E a legalidade da “assinatura a rogo” para esses contratos já está bem estabelecida por sentenças judiciais como esta. Será que é porque a maioria de seus advogados acha que quem não pode fazer uma assinatura a priori não deve estar em pleno gozo de suas faculdades mentais?

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Insensibilidade à Dor

Criado: Sábado, 06 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Parece que desenvolvi certa insensibilidade à dor pela frequência com que me machuco, devido à descoordenação motora e me locomover em casa engatinhando. De vez em quando, aparece uma ferida, dorzinha ou até um pequeno hematoma em alguma parte do meu corpo sem que eu saiba explicar como o adquiri. Há uns dois meses, senti uma distensão muscular num dedo da mão esquerda que era um mistério até que, hoje, percebi que o modo como pego na maçaneta da porta do meu quarto – que é dura de fechar – força esse dedo. Até então pensava que a dor da distensão poderia ser sintoma de alguma artrite, artrose ou algo assim!

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Exclusão do Sistema Bancário

Criado: Domingo, 30 Novembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Passei dez anos tentando abrir uma conta corrente no meu nome sem conseguir, pois não tenho coordenação motora para colocar uma assinatura no contrato, não aceitavam que esta fosse substituída pela impressão digital, exigiam que o contrato fosse assinado pelo meu represente legal, que era meu pai, cujo nome estava com restrição no sistema bancário. Só tive sucesso quando o Bradesco passou a aceitar tal substituição através da “assinatura a rogo” de duas testemunhas – abri a conta no Itaú, que tem uma agência no quarteirão em que moro, ensinando esse expediente e dizendo que um concorrente o aceitava.

No ano passado, uma irmã me pediu para tirar um empréstimo no meu nome para ela comprar um carro e, ao ver o contrato da conta, a gerência da minha agência – que mudou várias vezes desde a abertura da conta, em 2007 – disse que o contrato estava ilegal porque não o assinei e exigiu que eu nomeasse um procurador para assina-lo, sob pena de fechar a conta. Fiquei furioso, não ia nomear um procurador e deixei tudo pronto para me mudar para o Bradesco, mas a gerente se esqueceu do assunto, não sei se por conveniência. Há um mês, me comuniquei com os principais bancos brasileiros, exceto o Bradesco, para saber o que fariam se uma pessoa impossibilitada de assinar quisesse abrir uma conta: a diretriz do Itaú é exigir um procurador, mas dá autonomia aos gerentes de agência para aceitarem assinatura a rogo; o Santander exige um procurador; o Banco do Brasil ligou para um gerente de agência e me encaminhou para lá; o HSBC não soube o que fazer e a Caixa Econômica Federal não respondeu. Também pesquisei a legislação sobre acessibilidade bancária e nada encontrei a esse respeito. Parece que, exceto pelo Bradesco, quem não pode fazer uma assinatura continua excluído do sistema bancário ou – o que acho um risco – tem de se submeter a nomear um procurador.

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Acessibilidade no Chevrolet Hall

Criado: Segunda, 24 Novembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Há três dias, fui com duas amigas a um show no Chevrolet Hall, em Olinda, e gostei da acessibilidade do local e do bom treinamento dos funcionários para lidar com pessoas com deficiência, inclusive para tomar a iniciativa de oferecer ajuda – mas esqueceram de fazer banheiros unissex para tais pessoas. Quando acabou o show e a adrenalina baixou, precisei urinar com urgência e uma dessas amigas passou pelo constrangimento de entrar comigo no banheiro masculino, que felizmente já estava vazio.

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Problemas de Engatinhar

Criado: Sexta, 24 Outubro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como não posso andar sem ajuda, em casa me locomovo engatinhando, o que de vez em quando faz a parte superior dos pés, dos dedos das mãos – é difícil engatinhar com estas abertas – e, sobretudo, os joelhos se ferirem ou terem pequenos tumores. Nessa situação, passo a me locomover sentado, o que também pode ferir a parte de fora dos pés – aí o jeito é ficar pedindo aos outros para me ajudarem a andar. O uso de joelheiras, meias e luvas me incomoda demais, principalmente quando a temperatura está alta, e é extremamente eu aceitá-lo. Ainda tenho de tomar cuidado para os outros não tropeçarem em mim e caírem – foi assim que minha mãe fraturou o fêmur.

 

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Como faço sexo

Criado: Segunda, 20 Outubro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Minha paralisia cerebral é tetraplégica e tenho espasticidade, ataxia e atetoide. Devido aos dois últimos distúrbios motores, meu braço direito é tão descoordenado que quase sempre procuro mante-lo imobilizado e qualquer carícia que eu queira fazer é com a mão esquerda. Meus beijos são molhados porque tenho pouco controle da salivação. Exceto quando uso a língua – o que, dizem algumas mulheres, faço muito bem, o que é surpreendente porque a mastigação e a deglutição são difíceis por não controlar direito a língua –, sou a parte passiva durante o ato porque a excitação acentua a descoordenação, embora já tenha sido capaz de ser ativo em algumas posições. Tomo o cuidado de cortar as unhas, para não ferir minhas parceiras sem querer. Já que não consigo falar e não é nada bom parar a coisa no meio para dizer o que está ruim, quando vou transar com uma mulher pela primeira vez digito um bilhete para ela dizendo o que gosto fazer ou não, como fazer, as melhores posições, etc – e depois, preciso que ela seja aberta pra conversar francamente comigo sobre o que foi bom ou ruim. O título do meu site é "Dedos dos Pés" porque uso o computador, o tablet e a prancha (de madeira) de comunicação com os dedões dos pés, os quais podem ser vistos como "objetos fálicos" que podem desencadear fantasias, o que já fez algumas mulheres me pedirem para usa-los nelas, com ótimos resultados!

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Asa Delta

Criado: Sábado, 04 Outubro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Em 2011, decidi tentar saltar de paraquedas e voar de parapente, asa delta e ultraleve. Desde então, dei dois saltos de paraquedas e um voo de parapente motorizado, parte do qual com o motor desligado. Perdi um pouco do interesse por ultraleve, mas ainda quero voar de asa delta. O problema é que, na decolagem, o passageiro também tem de correr para não sobrecarregar o instrutor e sequer consigo andar sozinho. Na semana passada, perguntei a um instrutor se uma terceira pessoa poderia ajudar na decolagem, mas ele respondeu que seria arriscado demais. Já vi asa delta decolar de cima de um carro em movimento, mas não existe isso aqui em Pernambuco nem nos estados vizinhos. Parece que estou num beco sem saída.

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Um Mudo pegando Taxi

Criado: Terça, 02 Setembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Andar de taxi sozinho sem poder falar e andar sem ajuda pode ser bem complicado. Sempre prefiro andar com taxistas conhecidos, mas atualmente perdi contato com quase todos. Quando estou entrando no taxi, dou um jeito da pessoa a quem encontrarei falar com o taxista explicando como chegar onde ela estar ou digito antes um texto com tal objetivo. Digitar esse texto implica uma série de dilemas entre detalhamento e simplicidade, e às vezes não é bem entendido pelo taxista. Para o caso de acontecer um acidente, levo um papel plastificado com meu nome, endereço, descrição da minha deficiência e os contatos da minha família e, quando uso o Easy Taxi, peço que minha cuidadora anote o celular e a placa do taxi – foi difícil convencê-la da necessidade de anotar esses dados, pois o único risco que esta conseguia pensar era sequestro, crime para o qual sou um alvo improvável.

Na última sexta, fiz um pedido pelo Easy Taxi para ir ao Centro Elohim de Equoterapia, o texto que levei presumia que quem o lesse saberia onde fica o Parque de Exposição do Cordeiro ou pelo menos a Av. Caxangá, mas o taxista que veio era de outra cidade, vi que o aplicativo de navegação dele deu uma rota bem errada e voltar para casa não era uma boa ideia, pois a única pessoa que tinha ficado nesta era minha mãe, que já é muito idosa e não pode mais subir a escada comigo. Por um momento fiquei assustado –“e agora?!” – mas esse taxista era um jovem de mente aberta, não pressupôs que eu tivesse déficit cognitivo e conseguiu se comunica comigo bem o suficiente para eu ir apontando o caminho até lá. Ufa!

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