Bancar o Travesti

Criado: Sexta, 02 Outubro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como minha antiga cuidadora fazia, ontem pela primeira vez minha companheira deu uma de travesti para resolver um problema com um cartão de crédito meu. E fico me perguntando se vou viver o suficiente para ver as operadoras de cartão atenderem pelo WhatsApp.

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Testes Cotidianos de Paciência

Criado: Quarta, 26 Agosto 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Hoje, precisei fazer, no tablet, uma transferência da conta do blog para a minha pessoal, um processo que tem umas dez etapas – aliás, não sei por quê o Itaú exige que o cliente digite dois códigos de segurança em vez de um único, nesse tipo de operação. Na penúltima etapa, quando deveria alternar entre dois apps, involuntariamente fiz um movimento que fechou o do Itaú. Respirei fundo, me muni de paciência e refiz todo o processo! Este é um exemplo do tipo de situação que só ocorre  a quem tem paralisia cerebral (e outras deficiências que prejudiquem a coordenação motora). Acontecem coisas bem mais bizarras como estar engatinhando tranquilamente e de repente cair de lado, bater com a cabeça no nariz da namorada ao andar com ela, arrotar no rosto dela enquanto a beijava, o braço travar nas costas, etc. A paralisia cerebral testa cotidianamente a paciência de quem a tem e das pessoas em volta.

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Rosto jovial ou imagem de criança?

Criado: Terça, 04 Agosto 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Meu rosto é muito jovial, geralmente me dão bem menos idade do que realmente tenho – às vezes menos da metade desta – e, quando estou com alguma amiga ou namorada, às vezes perguntam se é minha mãe, para desespero dela e meu divertimento; a situação típica é ouvirmos "ele é seu filho?" e depois eu cair na gargalhada. Porém, há algum tempo comecei a pensar que existe outro motivo para esse  tipo de pergunta. Nosso cérebro usa regras probabilísticas, inconscientes e frequentemente de natureza social, para fazer julgamentos rápidos que não exigem muita reflexão. Uma dessas regras deve ser "se alguém precisa de outra pessoa para comer, se vestir, etc, deve ser uma criança e a mulher que o faz, a mãe dele". Esse motivo se tornou evidente para mim com minha atual namorada, cujo rosto, além de muito bonito, não é menos jovial que o meu e nem por isso escapou de ser indagada se é minha mãe. É da natureza dessas regras acertar na  maioria dos casos e falhar em alguns, mas quando levam os erros a serem mais frequentes que os acertos e, ainda assim, são mantidas tornam-se preconceitos.

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Banco 30 Segundos

Criado: Domingo, 24 Maio 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Quando um correntista pessoa física do Itaú solicita um código de segurança usando um desktop para fazer uma operação, a validade deste é de cerca de dois minutos, tempo mais que suficiente para me permitir digita-lo e, quando uso o tablet, o código é inserido direto  no app sem digitação. Precisei abrir uma conta empresarial para receber o patrocínio deste blog. Se pedir o código dessa segunda conta pelo desktop, a validade deste são os mesmos dois minutos, mas se o fizer pelo tablet a validade é só trinta segundos e é enviado por SMS. Para complicar, enquanto a tela do app de SMS é horizontal, a do app do Itaú é vertical e, em princípio, eu teria de girar o tablet com os pés para digitar o código. Tentei dez, quinze vezes até que momentaneamente me conformei a precisar de outra para acessar a conta com o tablet, resolvi entrar nela com o desktop, meu gerador de códigos (iToken) estava bloqueado e só consegui desbloquear na segunda tentativa. Às vezes sou uma mula teimosa, resolvi tentar de novo com o tablet, agora sem gira-lo e finalmente consegui digitar o código a tempo. Queria saber porquê o Itaú não disponibiliza o iToken no app para contas empresariais. E bem que ele e outros bancos deveriam permitir que clientes com deficiência personalizassem o tempo de validade dos códigos de segurança.

 

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Déficit cognitivo ou dificuldade de comunicação, eis a questão

Criado: Quarta, 13 Maio 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Não há estatísticas abrangentes sobre a incidência de déficit cognitivo em pessoas com paralisia cerebral. O que existe são estudos com grupos de algumas centenas de pessoas, que indicam uma incidência de 40 a 50%, algo parecido com um jogo de cara ou coroa. O problema parece maior do que é porque muitas das pessoas sem tal déficit têm sua capacidade de comunicação severamente afetada pela lesão cerebral, o que frequentemente é confundido com tal déficit e talvez até enviese tais estudos. Essa situação gera o preconceito de que a paralisia cerebral implica necessariamente esse déficit, talvez a maior ofensa a pessoas com PC que não o têm.

Por lei, as companhias aéreas têm de dar desconto de pelo menos 80% na passagem do acompanhante de pessoas com necessidades especiais, direito que agora preciso usar por ter a namorada em Curitiba. Essas companhias exigem que um médico preencha e assine um formulário para cumprir a lei e com este objetivo fui a uma neurologista com a qual já tinha feito duas consultas. Por motivos que não vêm ao caso, minha cuidadora acabou tendo de entrar no consultório comigo e com uma irmã minha que é física e cognitivamente deficiente. Não há relação alguma entre a deficiência desta e a minha, mas ao ver minha irmã a neurologista cismou que há, sim, e se negou a me dá o diagnóstico de PC – em vez disso ela botou “ataxia cerebral”! – dizendo “alguém tão inteligente não pode ter paralisia cerebral”. Não esperava ouvir essa afirmação de uma neurologista e saí do consultório pensando nela como uma imbecil.

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Na Boate

Criado: Sexta, 10 Abril 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Quando saio para bares e boates, às vezes alguém fica surpreso, encantado por eu querer curtir a vida e ir a esses lugares em vez de ficar mofando em casa. Esse cara da foto ficou entusiasmado com minha presença na boate Layout80 – o único lugar que fui em Curitiba que não tinha acessibilidade alguma, embora os seguranças tenham sido bem solícitos em nos ajudar a superar isso – , pegou minha mão e ficou dançando comigo. Obviamente era com minha bela namorada que eu queria dançar, fiz várias tentativas de me desvencilhar dele com gentileza, mas nada de ele largar minha mão, até que a puxei com força. Ele estava com uma mulher, mas fiquei pensando se não era um enrustido que estava afim de mim! Eu hein!

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Ataque de Demência

Criado: Quinta, 09 Abril 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Passei a segunda quinzena de março com minha namorada em Curitiba , cuja acessibilidade, embora longe de ser total, é muito melhor que a de Recife e rapidamente me habituei a ficar na cadeira de rodas, até porque inicialmente ela teve dificuldade em andar comigo (depois ficou craque nisso). Passamos dois dias em Foz do Iguaçu, onde nos hospedamos na casa da mãe de uma amiga dela. No segundo dia, fomos visitar um templo budista praticamente sem qualquer acessibilidade. Para entrar no templo propriamente dito, era necessário subir alguns degraus e elas fizeram um esforço danado para me suspender na cadeira como se eu fosse um paxá indiano, e nenhum de nós quatro pensou que eu poderia subir andando – que demência! Quando fomos descer, vi que corria o risco iminente de cair degraus abaixo e, num instante, saí da cadeira andando! Isso as deixou invocadas comigo, ao mesmo tempo que caímos na gargalhada com o absurdo da situação. Parecia que eu estava de sacanagem com elas, mas só havia me habituado à vida mansa.

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Ligando para Operadora de Cartão

Criado: Quarta, 04 Fevereiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como não posso falar, sempre que tenho um problema com operadoras de cartão de crédito preciso que alguém ligue para estas se fazendo passar por mim. Geralmente é meu irmão que liga, mas até porque ele detesta fazê-lo às vezes peço a uma empregada que o faça a mandando engrossar a voz como se fosse um homem. Ontem, descobri que um cartão foi clonado, havendo um débito grande na fatura que não fiz, meu irmão estava viajando, eu não sabia quando ele voltaria para casa, tinha urgência em resolver o problema e pela primeira vez fiz a empregada que atualmente cuida de mim ligar para a operadora. Não deu muito certo, a atendente ora a tratava de “senhora”, ora de “seu Ronaldo”; temi que a operadora desconfiasse de fraude ou pelo menos encerrasse o atendimento argumentando que não era o titular do cartão, mas este foi até o fim e resolvi o problema. A atendente deve ter pensado que sou gay ou mesmo um travesti!!!

O canal de atendimento adequado para mim é chat, mas infelizmente são poucas as empresas que o têm. Especificamente, a única operadora de cartão de crédito que atende por chat é a American Express.

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Três Fracassos

Criado: Domingo, 25 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Recentemente, disse a minha namorada que precisei fazer três tentativas fracassadas antes de conseguir dar o segundo salto de paraquedas, descrevi duas, ela perguntou como foi a outra e não consegui lembrar de imediato. Nenhum dos instrutores da empresa daqui de Recife quis fazer meu salto e ela teve de trazer gente de fora para tanto. Em fevereiro trouxe um instrutor de Salvador, na semana em que o salto foi marcado minha mãe recebeu um diagnóstico (errado) de tuberculose, meu irmão pegou uma virose besta e não quis ir comigo ao local do salto com medo de contaminar o pessoal da empresa com tuberculose, apesar deste aceitar o risco e insistir para que fossemos.


O processo todo de fazer três tentativas fracassadas foi extremamente desgastante para mim, fiquei totalmente avesso à ideia de novo antes do verão seguinte e quando surgiu outra chance de saltar, em pleno inverno, o maior obstáculo que tive de superar a resistência interna a me empenhar de novo nisso. Sorte que não tenho qualquer misticismo, superstição ou tendência de atribuir um significado extraordinário a eventos não relacionados – minha irmã mais velha chegou a dizer que eu estava recebendo um “recado” –, do contrário não teria saltado de novo!

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Como fico bem em Fotos

Criado: Domingo, 04 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Fico feio em fotos se não sorrir e, devido à falta de controle dos músculos faciais, raramente consigo manter um sorriso não espontâneo mesmo nos poucos segundos necessários para posar para uma foto. Uma amiga resolveu o problema falando “sexo” nesses momentos, truque que essa amiga que está nas fotos abaixo às vezes radicaliza, falando coisas não tão publicáveis ao meu ouvido – dá para ver em qual das duas fotos esse truque foi usado. O que sexo não faz?!

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