Déficit cognitivo ou dificuldade de comunicação, eis a questão

Criado: Quarta, 13 Maio 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Não há estatísticas abrangentes sobre a incidência de déficit cognitivo em pessoas com paralisia cerebral. O que existe são estudos com grupos de algumas centenas de pessoas, que indicam uma incidência de 40 a 50%, algo parecido com um jogo de cara ou coroa. O problema parece maior do que é porque muitas das pessoas sem tal déficit têm sua capacidade de comunicação severamente afetada pela lesão cerebral, o que frequentemente é confundido com tal déficit e talvez até enviese tais estudos. Essa situação gera o preconceito de que a paralisia cerebral implica necessariamente esse déficit, talvez a maior ofensa a pessoas com PC que não o têm.

Por lei, as companhias aéreas têm de dar desconto de pelo menos 80% na passagem do acompanhante de pessoas com necessidades especiais, direito que agora preciso usar por ter a namorada em Curitiba. Essas companhias exigem que um médico preencha e assine um formulário para cumprir a lei e com este objetivo fui a uma neurologista com a qual já tinha feito duas consultas. Por motivos que não vêm ao caso, minha cuidadora acabou tendo de entrar no consultório comigo e com uma irmã minha que é física e cognitivamente deficiente. Não há relação alguma entre a deficiência desta e a minha, mas ao ver minha irmã a neurologista cismou que há, sim, e se negou a me dá o diagnóstico de PC – em vez disso ela botou “ataxia cerebral”! – dizendo “alguém tão inteligente não pode ter paralisia cerebral”. Não esperava ouvir essa afirmação de uma neurologista e saí do consultório pensando nela como uma imbecil.

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Na Boate

Criado: Sexta, 10 Abril 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Quando saio para bares e boates, às vezes alguém fica surpreso, encantado por eu querer curtir a vida e ir a esses lugares em vez de ficar mofando em casa. Esse cara da foto ficou entusiasmado com minha presença na boate Layout80 – o único lugar que fui em Curitiba que não tinha acessibilidade alguma, embora os seguranças tenham sido bem solícitos em nos ajudar a superar isso – , pegou minha mão e ficou dançando comigo. Obviamente era com minha bela namorada que eu queria dançar, fiz várias tentativas de me desvencilhar dele com gentileza, mas nada de ele largar minha mão, até que a puxei com força. Ele estava com uma mulher, mas fiquei pensando se não era um enrustido que estava afim de mim! Eu hein!

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Ataque de Demência

Criado: Quinta, 09 Abril 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Passei a segunda quinzena de março com minha namorada em Curitiba , cuja acessibilidade, embora longe de ser total, é muito melhor que a de Recife e rapidamente me habituei a ficar na cadeira de rodas, até porque inicialmente ela teve dificuldade em andar comigo (depois ficou craque nisso). Passamos dois dias em Foz do Iguaçu, onde nos hospedamos na casa da mãe de uma amiga dela. No segundo dia, fomos visitar um templo budista praticamente sem qualquer acessibilidade. Para entrar no templo propriamente dito, era necessário subir alguns degraus e elas fizeram um esforço danado para me suspender na cadeira como se eu fosse um paxá indiano, e nenhum de nós quatro pensou que eu poderia subir andando – que demência! Quando fomos descer, vi que corria o risco iminente de cair degraus abaixo e, num instante, saí da cadeira andando! Isso as deixou invocadas comigo, ao mesmo tempo que caímos na gargalhada com o absurdo da situação. Parecia que eu estava de sacanagem com elas, mas só havia me habituado à vida mansa.

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Ligando para Operadora de Cartão

Criado: Quarta, 04 Fevereiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como não posso falar, sempre que tenho um problema com operadoras de cartão de crédito preciso que alguém ligue para estas se fazendo passar por mim. Geralmente é meu irmão que liga, mas até porque ele detesta fazê-lo às vezes peço a uma empregada que o faça a mandando engrossar a voz como se fosse um homem. Ontem, descobri que um cartão foi clonado, havendo um débito grande na fatura que não fiz, meu irmão estava viajando, eu não sabia quando ele voltaria para casa, tinha urgência em resolver o problema e pela primeira vez fiz a empregada que atualmente cuida de mim ligar para a operadora. Não deu muito certo, a atendente ora a tratava de “senhora”, ora de “seu Ronaldo”; temi que a operadora desconfiasse de fraude ou pelo menos encerrasse o atendimento argumentando que não era o titular do cartão, mas este foi até o fim e resolvi o problema. A atendente deve ter pensado que sou gay ou mesmo um travesti!!!

O canal de atendimento adequado para mim é chat, mas infelizmente são poucas as empresas que o têm. Especificamente, a única operadora de cartão de crédito que atende por chat é a American Express.

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Três Fracassos

Criado: Domingo, 25 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Recentemente, disse a minha namorada que precisei fazer três tentativas fracassadas antes de conseguir dar o segundo salto de paraquedas, descrevi duas, ela perguntou como foi a outra e não consegui lembrar de imediato. Nenhum dos instrutores da empresa daqui de Recife quis fazer meu salto e ela teve de trazer gente de fora para tanto. Em fevereiro trouxe um instrutor de Salvador, na semana em que o salto foi marcado minha mãe recebeu um diagnóstico (errado) de tuberculose, meu irmão pegou uma virose besta e não quis ir comigo ao local do salto com medo de contaminar o pessoal da empresa com tuberculose, apesar deste aceitar o risco e insistir para que fossemos.


O processo todo de fazer três tentativas fracassadas foi extremamente desgastante para mim, fiquei totalmente avesso à ideia de novo antes do verão seguinte e quando surgiu outra chance de saltar, em pleno inverno, o maior obstáculo que tive de superar a resistência interna a me empenhar de novo nisso. Sorte que não tenho qualquer misticismo, superstição ou tendência de atribuir um significado extraordinário a eventos não relacionados – minha irmã mais velha chegou a dizer que eu estava recebendo um “recado” –, do contrário não teria saltado de novo!

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Como fico bem em Fotos

Criado: Domingo, 04 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Fico feio em fotos se não sorrir e, devido à falta de controle dos músculos faciais, raramente consigo manter um sorriso não espontâneo mesmo nos poucos segundos necessários para posar para uma foto. Uma amiga resolveu o problema falando “sexo” nesses momentos, truque que essa amiga que está nas fotos abaixo às vezes radicaliza, falando coisas não tão publicáveis ao meu ouvido – dá para ver em qual das duas fotos esse truque foi usado. O que sexo não faz?!

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Assinatura a rogo no HSBC

Criado: Domingo, 04 Janeiro 2015 Escrito por Ronaldo Correia Junior

No penúltimo de 2014, o HSBC finalmente respondeu minha pergunta sobre o uso da impressão digital com “assinatura a rogo” para abrir uma conta, dizendo que a aceita. Assim, o Bradesco e o HSBC são os únicos bancos que a aceitam; no Itaú e no Banco do Brasil isso depende da cabeça do gerente de cada agência e dos advogados que consultar; o Santander recusa; e a Caixa Econômica Federal não respondeu.

 

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Pequenos Infortúnios

Criado: Domingo, 21 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Tinha o hábito de tomar café duas ou três vezes ao dia e bebia coca-cola com frequência, coisas que precisei parar de fazer há 18 meses ao começar a ter refluxo gástrico e me restringi a café descafeínado. Na última quarta, faltou descafeinado, tomei um cappuccino de manhã sem saber que meu corpo tinha se desacostumado com a cafeína e tive um ataque de espasticidade (rigidez muscular) que durou o dia todo, o que me obrigou a adiar todas as operações bancária para o dia seguinte pelo risco de errar e bloquear as senhas e o token.

Na tarde da quinta, a descoordenação motora me fez levar um corte na parte inferior da mão esquerda, logo antes do polegar, no prego da maçaneta do banheiro. Se fosse a mão direita, ainda daria para não usa-la para engatinhar, mas a esquerda é imprescindível para isso e, nas 24 horas seguintes, tive de me locomover com uma mão em cima da outra para não tocar a ferida no chão. Fiquei me sentindo como um quadrupede manco!

Há duas semanas, fui ao banheiro engatinhando de madrugada, meu braço falhou e bati com força a têmpora na parede do box. Após a dor passar e me certificar que não estava me sentindo mal, voltei para meu quarto sem chamar ninguém. Um ou dois dias depois, percebi que a têmpora estava doendo ao ser tocada e botei gelo, o que não adiantou. Esqueci a dor e uns dias depois ela acabou.

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Assinatura e Impressão Digital

Criado: Domingo, 07 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Não compreendo a resistência dos bancos – assunto de um post recente – em aceitar a substituição da assinatura pela impressão digital para fazer contratos financeiros e de abertura de contas mediante “assinatura a rogo” de testemunhas, afinal uma assinatura pode ser falsificada e a impressão digital, não, tanto que eles próprios estão implementando sistemas de segurança baseados nesta. E a legalidade da “assinatura a rogo” para esses contratos já está bem estabelecida por sentenças judiciais como esta. Será que é porque a maioria de seus advogados acha que quem não pode fazer uma assinatura a priori não deve estar em pleno gozo de suas faculdades mentais?

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Insensibilidade à Dor

Criado: Sábado, 06 Dezembro 2014 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Parece que desenvolvi certa insensibilidade à dor pela frequência com que me machuco, devido à descoordenação motora e me locomover em casa engatinhando. De vez em quando, aparece uma ferida, dorzinha ou até um pequeno hematoma em alguma parte do meu corpo sem que eu saiba explicar como o adquiri. Há uns dois meses, senti uma distensão muscular num dedo da mão esquerda que era um mistério até que, hoje, percebi que o modo como pego na maçaneta da porta do meu quarto – que é dura de fechar – força esse dedo. Até então pensava que a dor da distensão poderia ser sintoma de alguma artrite, artrose ou algo assim!

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