Tensão Pré-Parto

Criado: Segunda, 06 Junho 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Se Silvia fosse fazer parto normal, nossa filha nasceria no início de julho – será cesariano e deve nascer no fim de junho. Seu corpo está se preparando para dar a luz, com a intensificação das contrações, corrimento, dilatação da pélvis, dores neste local, etc. Nos últimos dias, sempre que sente um desses sintomas ela pensa que o parto é iminente, vai acontecer nas horas ou dias seguintes. Por mais que ache que tais sintomas são normais e procure convencê-la que o parto não será antecipado, começo a ficar tenso, nervoso, assustado, principalmente porque pouco poderia fazer para ajudar nesse caso e, em particular, não posso eu mesmo levá-la à maternidade numa emergência. Ontem à noite, ao teimar comigo ela procurou no Google uma lista de sintomas de que o parto é iminente e viu que ainda não tem alguns, o que me fez dizer, rindo, ”você quer é me assustar”. Quando arfa, geme ou reclama do que está sentindo, às vezes no momento seguinte Silvia rir, cai na gargalhada com minha cara de assustado – que sacanagem!

 

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Percepções num Shopping Center

Criado: Domingo, 29 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Silvia quis que eu conhecesse um novo restaurante aberto no Shopping Itália, ao qual fomos ontem. Depois do almoço, demos um giro no shopping, as vendedoras com quem ela falou mudavam visivelmente de comportamento ao perceberem sua gravidez, mas nenhuma parece ter imaginado que eu pudesse ser o pai – acho que tomaram como dado que era seu irmão. Ao saber que será a terceira filha de Silvia, uma exclamou algo como “mas você parece tão novinha!”, confirmando o que disse noutro post sobre algumas pessoas pensarem que sou seu filho.

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A Partida de um Filho com Paralisia Cerebral

Criado: Sábado, 28 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Quando têm um filho com paralisia cerebral – ou outras deficiências –, muitas mulheres passam a se focar no tratamento dele, até de modo quase obsessivo, às vezes em detrimento de seu casamento – muitos maridos se separam por essa causa – e dos outros filhos. Foi o que minha mãe fez. Até em torno dos meus quinze anos, ela aprendia os exercícios que as fisioterapeutas faziam comigo para repeti-los em casa – durante um período, os fazia o dia inteiro e não parava nem nos feriados e fins de semana. Me levar a clínicas de reabilitação sempre era muito complicado, ainda mais à medida que foi tendo outros filhos. Todo aquele esforço prejudicou bastante meus irmãos e o casamento de meus pais, embora este não tenha se acabado – quando passei a ter idade para compreender as coisas, isso me deu um sentimento de culpa difícil de acabar.

Há uns trinta anos, minha mãe passou a apresentar uma grave doença psíquica que ela nega, recusa-se a tomar a medicação adequada e ir a psiquiatras, e se ninguém intervir adota comportamentos autodestrutivos que podem levar à morte. Esse problema exaspera todos da família, que acabam fugindo de uma forma ou outra, atitude que eu não podia tomar devido às minhas limitações físicas, há quatorze anos assumi a responsabilidade de cuidar para ela tomar os remédios, dizer quando precisava consultar a psiquiatra, informar esta, mobilizar a família para intervir, etc. Assim, salvei sua vida várias vezes.

Ao longo do tempo, ela foi perdendo os amigos, a vida social, etc, e sua vida se restringiu a pouco mais que frequentar um centro espírita e cuidar da minha irmã que tem deficiência e de mim, o filho a quem é mais ligada. Quando decidi vir morar com Silvia em Curitiba, minha primeira preocupação foi o que aconteceria a minha mãe, temendo que perdesse o sentido da vida e perecesse, embora também tivesse a esperança que essa irmã continuasse a suprir tal sentido. Prevendo uma oposição fortíssima, não comuniquei essa decisão à família, saindo de casa dizendo que só passaria um mês aqui. Nos meses entre a tomada dessa decisão e sua efetivação, ela intuiu que eu estava de partida, inicialmente me advertiu que morreria logo, depois me liberou para ir embora dizendo que Deus a ajudaria a continuar vivendo e ficou oscilando entre as duas posições.

Após chegar a Curitiba, fiquei tergiversando e só contei à família, com muito cuidado, que não voltaria a Recife após ter um mínimo de certeza de que teria êxito, o que levou quase dois meses. Diante desse sucesso e do fato consumado, a família aceitou muito bem, compreendeu que encontrei meu destino e evitei aquela oposição. Como é comum em mães de pessoas com PC, a atitude da minha sempre foi de superproteção quanto a mim, o que gerou fortes conflitos entre nós. Portanto, foi com grande surpresa que vi que, apesar de sentir demais minha ausência, sua reação à minha saída de casa é de felicidade, alegria, principalmente após a gravidez de Silvia, que logo se tornou sua nora favorita – seu negócio é ter noras lindas e que tratem bem a filha que tem deficiência. Creio que me casar com uma mulher linda e maravilhosa com a qual terei uma filha faz com que minha mãe sinta que, no fim, todo o amor, esforço e sacrifício que ela e meu pai dedicaram a mim valeram a pena.

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Antiderrapante

Criado: Sábado, 21 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como contei aqui, o primeiro encontro entre Silvia e eu quase fracassou e o principal motivo foi o box do banheiro ser completamente inadequado a mim, pois o piso escorregadio, as barras e torneiras nas paredes e as saboneteiras nos cantos impediam de me banhar de pé encostado na junção de duas paredes, como fazia em Recife. Tentei me banhar sentado no chão e também escorreguei; numa cadeira de plástico, mas esta ficou instável e ameaçava se quebrar; e o que resolveu foi uma cadeira de banho emprestada por uma conhecida de Silvia.

Quando vim morar em Curitiba, ela colocou fitas antiderrapantes no chão do box e retirou uma das barras, de modo a me permitir tomar banho encostado numa parede segurando na outra barra. Porém, tais fitas acabavam se descolando, obrigando ela a substituí-las periodicamente, o que vinha se tornando cada vez mais difícil com a evolução de sua gravidez. Há uns dois meses, pesquisando na Internet Silvia soube do spray AD+AD da empresa Gyotoku, que torna antiderrapantes pisos de cerâmica ou granito, uma vizinha nos arranjou esse produto e agora parece que o problema foi solucionado de vez.

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Concessão de Passaporte

Criado: Quarta, 11 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Como disse noutro post, no início do ano a Polícia Federal se negou a me conceder um passaporte, de modo ilegal. No fim de fevereiro, entrei com um processo administrativo contra essa decisão, alguns dias depois um agente nos ligou, falou com Silvia, pediu desculpas e disse que poderíamos voltar lá a qualquer hora para tirar a foto e as digitais requeridas pelo passaporte. Foi o que fizemos na semana passada. Ao chegarmos, a policial que ficava no balcão de atendimento estava falando com uma família, quando terminou perguntou se alguém mais queria retirar o passaporte como se Silvia – que também tem direito a atendimento prioritário por estar grávida – e eu não estivéssemos lá, até outra cidadã, que chegou depois de nós, chamar a atenção para o fato de termos prioridade. Então o agente que havia nos ligou apareceu, percebeu quem éramos e a mandou tirar imediatamente minhas digitais e foto. No fim, tal policial se tornou simpática, aparentemente porque meus dois primeiros nomes são, respectivamente, o do avô e do pai dela. Meu passaporte fica pronto até 6 de junho.

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Editorial num Pequeno Jornal

Criado: Terça, 10 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Este editorial é do Jornal de Aldeia, cidade da região metropolitana de Recife.

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Casal Exótico

Criado: Quarta, 04 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Ontem, Silvia e eu almoçamos num restaurante simples porque nossa empregada não veio trabalhar, a dona nos reconheceu apesar de não irmos lá há uns sete meses e foi falar conosco – agora que viu Silvia grávida é que essa pessoa não vai nos esquecer mesmo! Ela saiu do restaurante se divertindo com a ideia de que somos um casal “exótico” que chama atenção e provoca comentários por onde passa. Ela é conservadora, toda certinha, e talvez por isso mesmo a agrade muito o aspecto incomum que o relacionamento comigo trouxe à sua vida.

Está ficando evidente que muitas pessoas se encantam, entusiasmam, solidarizam com nossa história de amor, reação que às vezes temos certa dificuldade de compreender porque, para nós, estamos apenas tentando viver do melhor modo possível e ir atrás dos nossos desejos, como todos fazem, sem a menor pretensão de sermos lição de vida para ninguém. Para mim, é algo meio desconfortável porque me recuso terminantemente a fazer o discurso da “superação” e bancar o herói, super-homem e correlatos, inclusive porque entre pessoas com deficiência há inúmeras histórias como a minha – sempre que tal reação acontece, penso na música Cawboy Fora da Lei de Raul Seixas. Acho que se tal reação tiver algum fundamento, é que mostramos o que qualquer ser humano pode eventualmente fazer, e não que somos em algum sentido melhores que os outros.

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Personagens de Curitiba?

Criado: Segunda, 02 Maio 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Na segunda vez que Silvia e eu fomos ao Bagdá Café – o lugar que acho mais divertido em Curitiba –, o proprietário do estabelecimento me reconheceu. No penúltimo domingo, assistimos uma apresentação de chorinho na Feira do Largo da Ordem, uma idosa se lembrou que já tinha nos visto num shopping center há ao menos sete meses atrás e saímos de lá rindo, nos perguntando se estamos virando personagens de Curitiba. Será?

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Os Preconceitos de quem tem Paralisia Cerebral

Criado: Terça, 19 Abril 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Muitas pessoas com paralisia cerebral sem déficit cognitivo sentem desprezo, raiva, julgam-se superiores a quem tem deficiências que causam tal déficit, como síndrome de Down, autismo, muitos casos de PC, etc. E devido à generalização indevida das questões de sexualidade dos tetra e paraplégicos, algumas outras têm a mesma atitude quanto a estes. Nenhuma dessas duas categorias de pessoas tem, nem podem ter, qualquer responsabilidade pelas imagens que a sociedade faz a nosso respeito.

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Chá de Bebê

Criado: Domingo, 17 Abril 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Ontem, aconteceu o chá de bebê da nossa filha, no apartamento da irmã mais velha de Silvia. Considerei ficar em casa, mas Silvia achou tempo demais para ficar sozinho e fui o único homem presente. Foi um mico! Devia também ter cervejada de bebê, só para homens – que discriminação!

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