Matéria de Revista

Criado: Segunda, 28 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Embora boa, esta matéria da revista Bem Vindo A.Nó.S tem dois erros: este blog foi criado em 2014; e o segundo parágrafo mistura acontecimentos separados por mais de quinze anos – fiz o site de uma ONG (já extinta) no fim dos anos 1990.

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Espirro Proibido

Criado: Domingo, 27 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Hoje, enquanto Silvia fazia o almoço fiquei balançando Clara no carrinho durante 30 ou 40 minutos, tentando que esta dormisse para ver se conseguíamos comer com um pouco de sossego e tomar banho. Devido à coordenação insuficiente da musculatura envolvida na respiração e na deglutição, durante as refeições às vezes entra comida no meu nariz, em geral causando o reflexo de espirrar. Dessa vez, entrou um pedaço de macarrão, fiquei vários minutos inspirando com força para ele voltar à boca e fazendo de tudo para evitar o espirro, para não acordar Clara. Silvia acabou dizendo “coitadinho, não pode nem espirrar!”.

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Contexto Socioeconômico

Criado: Sexta, 25 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

É raríssimo alguém com paralisia cerebral severa se casar, ainda mais com uma mulher linda e bem-sucedida, e ter filhos. Além dos méritos e esforços próprios e dos meus pais, tal sucesso deve-se a haver tido os privilégios e recursos da classe média; se tivesse uma condição socioeconômica inferior, provavelmente não teria me alfabetizado por mais inteligente que fosse, seria de fato motoramente paralisado e talvez tivesse morrido das doenças respiratórias acarretadas pela PC. Ainda mais difícil seria desenvolver o hábito da leitura e um alto nível cultural.

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Meus Maiores Fracassos

Criado: Segunda, 24 Outubro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nunca consegui ter uma profissão e, na maior parte da vida, não tive renda, embora esta tenha aparecido e aumentado nos últimos anos. Tive uma casa nos anos 1980, doada por um tio, e uma quantia de valor equivalente em 1998, mas perdi ambas – no primeiro caso, nada havia que eu pudesse fazer, mas no segundo foi incapacidade de dizer “não”. Escrever para este blog é um trabalho remunerado do qual passei a gostar, mas o patrocínio é pequeno, não consigo outros e colocar publicidade nele só o poluiu. Devo perder minha principal fonte de renda no próximo ano. Agora que tenho de participar das despesas de uma casa e de criar uma filha, me ressinto muito desses fracassos.

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Dificuldade de Expressão

Criado: Quarta, 23 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Tenho dificuldade de expressar agressividade, raiva, irritação, aborrecimento e emoções correlatas, por vários motivos: a dependência física e econômica; a impossibilidade de falar, que me obriga a usar formas de comunicação menos espontâneas; a necessidade de controlar a atetóide (movimentos involuntários) e a espasticidade (rigidez muscular), o que faz sempre precisar me controlar emocionalmente para poder me expressar; a prancha alfanumérica que é meu principal meio de comunicação torna complicado fazer uma narrativa ou detalhar muito um assunto, me fazendo ser conciso demais. Quando a calma forçada ou  voluntária da minha comunicação impede os outros de compreenderem como estou me sentindo, os problemas persistem e aquelas emoções se acumulam, às vezes digito um texto-bomba que dá vazão a estas e pega o destinatário de surpresa ou até o assusta, mas é mais frequente isso gerar problemas gástricos.

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Passeio num Shopping Center

Criado: Sábado, 19 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Ontem, fomos a um shopping center para cortar meus cabelos. Logo que entramos, uma vendedora de uma ótica na qual comprei um óculos nos reconheceu e que nos abordou perguntando pelo bebê que, então, estava na barriga de Silvia. Senti vontade de dar o endereço deste blog, mas fiquei na dúvida se essa pessoa não trabalhava noutra ótica onde recebi um atendimento ridículo – após nos despedimos, percebi que não era o caso ao vê-la entrar naquela primeira ótica.

Ao terminar de cortar meus cabelos, sem imaginar que sou casado o cabelereiro me falou “agora você pode paquerar as gatinhas”, mostrei minha aliança, o que o fez dizer “ih! A ‘polícia’ está por perto”, ao ver Silvia voltar ele emendou “a ‘polícia’ chegou” e ficamos rindo a deixando sem entender porquê. Esses papos masculinos me fazem falta.

Em Curitiba, se mantem as crianças acreditando em Papai Noel por muito mais tempo que no Nordeste, o que acho estranho. Após saímos do salão de beleza, Silvia levou suas filhas para tirar foto com o Papai Noel do shopping e queria a todo custo que eu também o fizesse apesar dos meus protestos, mas na hora H deixou isso para uma ocasião em que Clara esteja conosco. Fiquei pensando se há um jeito de escapar desse mico.

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Dores nas Costas

Criado: Domingo, 13 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Tenho um desvio na coluna, o que somado à postura com que me sento me causa dores nas costas. Em Recife, fazia muitas atividades que reduziam e até eliminavam tais dores: tinha uma “bola de Bobath” na qual alongava as costas assim que me acordava de manhã; deitava de bruços algumas vezes ao dia, embora isso haja se tornado meio difícil após começar a ter refluxo; e fazia natação, fisioterapia e equoterapia. Nesse aspecto, em Curitiba a situação tem sido mais difícil: quando procuro uma cama para ficar de bruços, muitas vezes todas estão com uma pilha de coisas em cima; só venho conseguindo ir à natação num mês em cada quatro ou cinco e último foi julho; meu plano de saúde reduziu as sessões de fisioterapia domiciliar de três para duas; e é inviável praticar equoterapia. Assim, desde setembro tais dores aumentaram bastante. Comecei a me obrigar a ter paciência de desocupar minha cama quando quero me deitar de bruços, me apoiar no sofá para alongar as costas e, no verão, talvez possa nadar na piscina do condomínio onde moro, já que esta terá aquecimento. O tempo dirá se essas medidas diminuirão as dores.

Tudo na vida tem um custo – não existe almoço grátis, como dizia Milton Friedman. Essas dores são parte do custo de ter me mudado para Curitiba e constituído uma família.

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Noites mal dormidas

Criado: Sábado, 08 Outubro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Silvia e eu mal dormimos na noite deste domingo, por causa de Clara. Em geral, só me deito após ela botar esta no berço, mas estava tão cansado que adormeci logo, enquanto Silvia foi até a uma hora da madrugada com esta. Em seguida, mudei de posição na cama, fiz algum barulho que acordou esta, zangada Silvia disse que ia dormir no sofá e que cuidasse de Clara. Como já havia conseguido uma vez que esta dormisse no berço e para atenuar a situação, comecei a chacoalhar este com a perna, embora me machucasse um pouco, até esta dormir, voltei a me deitar, mas não peguei mais no sono. Em torno de mais uma hora, Clara acordou de novo, Silvia voltou ao quarto, combinamos que eu chacoalharia o berço de novo enquanto ela tentaria dormir, mas estava sem ver o rosto de Clara, parei antes de esta firmar o sono, começou a chorar e passamos outra noite sem dormir direito.

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Acariciando a Filha

Criado: Terça, 08 Novembro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

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Um Padrão no Primeiro Amor?

Criado: Segunda, 03 Outubro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Tenho cinco filmes com personagem com paralisia cerebral, dos quais o mais famoso é Meu Pé Esquerdo. O primeiro amor de quase todos esses personagens foi sempre pela primeira pessoa da mesma faixa de idade que os tratou como gente, o que também aconteceu comigo. Me pergunto se tais filmes indicam um padrão geral.

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