Brincando com a Filha

Criado: Segunda, 19 Novembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Para mim, tem sido difícil encontrar um modo de brincar com Clara, pela falta de coordenação motora e o medo de machucá-la. Meu irmão, que é seu padrinho, está acabando de passar cinco dias em Curitiba e brincou bastante com ela. Hoje, após brincar um pouco com ele Clara resolveu faze-lo comigo por cerca de meia hora, me levando a achar que talvez tenha aprendido que pode fazer brincadeiras com figuras masculinas, como o pai – o tempo dirá se essa barreira foi realmente quebrada.

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Tiara

Criado: Quinta, 15 Novembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

O que a gente não faz por amor?
Esse das fotos é o meu irmão.

 

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Mão Suicida

Criado: Quarta, 31 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Mesmo se estiver sentado quieto, parado, alguém com paralisia cerebral corre o risco de subitamente machucar a si próprio e quem estiver perto, devido à descoordenação motora, sobretudo se tiver atetóide (movimentos involuntários) – e tenho principalmente no braço direito. Ontem, no Mercado Municipal fui tentar usar a prancha de comunicação com a mão esquerda, involuntariamente enganchei a direita nos aros da roda da cadeira, passei vários segundos com muita dor, não pude dizer a Silvia o que acontecia, até que puxei esta mão, que ficou com alguns ferimentos. Referindo-se a um antigo filme de terror, às vezes Silvia brinca que esta é uma “mão assassina”, porque parece ter vontade própria e já bateu nela em várias ocasiões – agora parece que virou também suicidalaughing

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Comunicação entre Pai e Filha

Criado: Quinta, 25 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Frequentemente, deixamos uma comida com Clara enquanto ela assiste vídeos do Youtube, às vezes se esquece do alimento e a lembro emitindo um grunhido ininteligível e fazendo um gesto de braço meio descoordenado. Provavelmente, uma pessoa de fora não entenderia esse ato de comunicação, mas Clara aprendeu seu significado me vendo dizer a Silvia que ela estava esquecida da comida em uma ou duas ocasiões.

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Senso Excessivo de Responsabilidade

Criado: Sexta, 19 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Entre a noite de terça e a manhã de quarta, houve um problema grave aqui em casa – que não vou descrever para preservar nossa privacidade – que implicou um sério risco para Clara, embora na terça eu tenha conseguido isolá-la do perigo. Na quarta, passei a maior parte do dia me sentindo fisicamente mal, talvez porque não tenha encontrado um modo de protege-la, apesar de nada de errado haver ocorrido com esta. Em Recife, também passava por situações familiares extremas, mas o estresse resultante não chegava ao ponto de ser somatizado com tanta frequência quanto acontece aqui e venho me perguntando porquê.

Silvia já disse “você cuida mais de mim do que eu de você”, ”dou mais trabalho a Ronaldo do que ele a mim”, etc – evidentemente essas afirmações não correspondem à realidade e sua única gota de verdade é que não sou só um dependente de Silvia, mas também responsável por ela e suas filhas, embora a responsabilidade que mais pesa seja Clara. Por outro lado, muitas vezes me vejo incapaz de resolver ou atenuar os problemas que surgem, por ter paralisia cerebral e baixa renda. Talvez devesse me isentar um pouco desse contexto, mas minha personalidade vai na direção oposta, de querer abarcar tudo, exigir muito de mim mesmo. Assim, acho que a resposta é ter um excesso de senso de responsabilidade combinado a uma aguda consciência das minhas limitações físicas e financeiras.

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Brincando de Cavalinho

Criado: Quarta, 17 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara teve um problema nos olhos – que pensamos ser conjuntivite, mas o oftalmologista disse que era uma alergia –, passou dois dias sem ir à escola, ontem minha fisioterapeuta mais uma vez a aproveitou como instrumento de trabalho e um dos exercícios foi brincar de cavalinho.

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Preocupação da Filha II

Criado: Quarta, 10 Outubro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta manhã, nos dirigimos à garagem do nosso prédio, Silvia me deixou na cadeira de rodas enquanto colocava Clara no carro, esta pensou que eu ficaria sozinho ali, começou a chorar, aquela a acalmou falando que eu sairia com ambas e Clara disse “Naldo, senta aqui (no carro)”. Silvia foi no carro comentando que não sabia se essa preocupação de Clara comigo – que começou já no seu terceiro semestre de vida – é boa ou ruim e concluiu que não deverá ser um peso, pelo meu bom humor e riso fácil – esta já adquiriu a segunda característica. Desde a gravidez, eu não queria que tal preocupação existisse, ainda mais tão cedo, mas não sei como evitar, pois Clara percebe perfeitamente minha vulnerabilidade.

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Exposição Escolar

Criado: Sábado, 22 Setembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Nesta manhã, haveria uma exposição na escola de Clara com trabalhos de alunos e professores sobre alguns países. Pela pouca importância que ela me dá – que às vezes imagino ser quase inexistente – e o esforço que Silvia faria para me aprontar e conduzir a cadeira de rodas, cogitei não ir achando que Clara seria indiferente à minha presença ou ausência – acabei indo. Esperamos um pouco no pátio com ela no meu colo, em seguida entrou com uma professora e, quando me viu entrando na sala de sua turma, Clara ficou tão surpresa e alegre que quis voltar para meu colo – minha alegria com tal reação foi maior que a dela.

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Troca de Tarefas

Criado: Terça, 18 Setembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara ter deixado de dormir comigo complicou bastante nossas noites e fiquei pensando em como minimizar isso. As filhas de Silvia vinham fazendo muito tumulto na hora de dormir, levando Clara a demorar para adormecer, e um dia decidi ficar no quarto das duas para que se aquietassem logo – minha intenção era efetuar uma intervenção pontual, mas se tornou permanente. Ambas sempre gostaram que eu as botasse para dormir, porém, dessa vez, enquanto a mais nova adorou meu retorno ao seu quarto e está adormecendo em poucos minutos, a mais velha o repudiou – Silvia acha que o motivo é implicância com ela e a irmã, mas não tenho certeza de que o problema não é (ou era) mesmo comigo, embora não se manifeste em nenhum outro momento; de qualquer forma, esse repúdio parece ter sumido nos últimos dias.

Essa troca de tarefas reduziu os danos de Clara passar a dormir com Silvia, mas não os eliminou e um destes é aquela se distanciar de mim, para minha tristeza.

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Voltando a Sair com a Filha

Criado: Domingo, 09 Setembro 2018 Escrito por Ronaldo Correia Junior

De um ano e meio a três anos é a “idade da birra” dos bebês e, após nos metermos em várias situações complicadas, passamos uns seis meses evitando sair com Clara, o que só começou a mudar há dez dias. Ontem, fomos a um shopping center cujo piso superior tem uma área ao ar livre para soltá-la lá. Já que o objetivo era este, comecei a me afastar conduzindo a cadeira de rodas com meus pés, mas Clara sempre falava "volta papai, volta papai" e às vezes ia até onde eu estava para me levar para perto – tendo a me sentir sem importância para ela e episódios como este mostram que não é bem assim. E sua beleza ainda é suficiente para fazer algumas pessoas chegarem a nos dizer que ela é linda, para orgulho do pailaughing

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