Oração

Criado: Terça, 09 Julho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Minha música preferida é Epitáfio dos Titãs, cujo estrofe final é:

Devia ter trabalhado menos
Complicado menos
Ter visto o sol se pôr

Há nove dias, fomos ao show da banda, antes de tocar tal música Sérgio Brito disse que é quase uma oração e percebi que efetivamente o é para mim. Exceto por querer trabalhar mais, é meu ideal de vida e, por muito tempo, a defasagem quanto à minha realidade, o meu modo de ser e agir às vezes incomodava. Recentemente constatei que, em medida maior ou menor, costumo consiguir o que quero, inclusive me transformar na direção que desejo, constatação que me desconcertou, surpreendeu e espantou, dadas as limitações geradas pela paralisia cerebral. Um dos maiores símbolos disso é que, em parte do ano, dá para observar o pôr do sol da frente do nosso apartamento e, pensando em Epitáfio, muitas vezes paro o que estou fazendo para vê-lo.

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Presente de Aniversário

Criado: Sexta, 28 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Clara completará três anos amanhã. No ano passado, vi uma publicação no Facebook de uma amiga nossa, colega de trabalho de Silvia, criticando na linha de “não se nasce mulher; torna-se mulher” que, entre outras coisas, geralmente as meninas só ganham bonecas e correlatos e decidi não fazer o mesmo. Há três dias, ao entrar numa loja de brinquedos para comprar presentes para Clara inicialmente pensava numa boneca, mas resolvi colocar aquela decisão em prática dando um conjunto de carrinhos, apesar de Silvia me questionar várias vezes se era isso mesmo que queria.

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Fisioterapia com a Filha VI

Criado: Terça, 25 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

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Ensinando Organização

Criado: Terça, 25 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Na manhã de ontem, ao me ver limpando o tablet que usa Clara encrencou comigo, mas em seguida pegou o pano para ela própria limpar. Depois, enquanto ainda estávamos comendo, por iniciativa própria ela começou a arrumar a mochila da escola. Pela minha experiência familiar, pensava que era extremamente difícil ensinar organização, ordem e arrumação a uma criança, mas involuntariamente estou fazendo isso com Clara, o que obviamente me dá orgulho. O que não compreendo é que, nessa questão, Clara siga meus exemplos e não os outros que dispõe.

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Beleza e Paralisia Cerebral

Criado: Quarta, 19 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Minha atitude com a beleza do meu rosto sempre foi contraditória: a via no espelho ao mesmo tempo que internalizava o preconceito de que quem tem paralisia cerebral é necessariamente feio e, às vezes, ficava me autodepreciando em frente daquele – me chamava de macaco, p. ex. Pensava que era incapaz de ter mulheres bonitas, a maioria das namoradas que tive não o era e a falta de atração física me levava a acabar tais relacionamentos, embora nem sempre fosse o único motivo. Namorar mulheres feias fazia me sentir um lixo como homem – e ser considerado assim, o que percebi no namoro com uma gaúcha loira e linda, pois, ao me verem com esta, a diferença na atitude dos outros (inclusive minha mãe) foi gritante.

As duas mulheres lindas que se interessaram por mim (desconsiderando as que não chegaram às vias de fato), Silvia e essa gaúcha, também são inteligentes, cultas, gostam de ler, estudar, entre outras características que me atraem. Portanto, não tenho certeza total sobre a importância que a beleza feminina tem para mim, mas acho que é fundamental, como na cruel e conhecida frase de Vinicius de Morais – eu não conseguiria ficar muito tempo com uma mulher que não fosse muito bonita, que não me desse atração física (e bem que tentei).

Na época em que publiquei meu site, tirar uma foto e publicar na Internet demorava e dava trabalho, em cada cem eu só ficava bem em uma – nas outras, saia horroroso – e tive de escolher a dedo as que colocar nele; mas também sempre me recusei a maquiar fotos, de modo que as mulheres que iam a Recife encontravam o que já tinham visto. Ainda bem que aquele preconceito não acabou completamente com minha vaidade, pois a beleza mostrada nas fotos era um dos fatores para o site desencadear o interesse das mulheres por mim. De fato, recentemente Silvia disse que só queria namorar homens que tivessem uma beleza meio rústica, cujos rostos não tivessem traços muito delicados, os e-mails que eu enviava para a lista de discussão onde nos conhecemos chamaram sua atenção, foi ao site e sentiu-se atraída porque me achou bonito. Foi desconcertante ver de novo que a frase de Vinicius também aplicou-se a mim porque, no fundo, ainda tenho dificuldade de acreditar que sou bonito.

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Amor em Números

Criado: Quarta, 19 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

É tanto que amo e penso em Silvia que às vezes, quando vou acessar minha conta bancária, acabo digitando os dados da dela, e mesmo ao entrar na minha, em algumas ocasiões insiro sua senha – tive de redobrar a atenção a respeito, para não sofrer um bloqueio de senha. E cuido de suas finanças com tanto zelo que recentemente ela me perguntou “você tem fábrica de dinheiro?!”.

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Um Dia Feliz

Criado: Sexta, 14 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Comemoramos o Dia dos Namorados ontem, passando momentos prazerosos num lugar bem romântico. E à noite, Clara me deu a alegria de brincar comigo mais de uma hora, demonstrando que continua se reaproximando de mim.

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Diálogo

Criado: Sábado, 08 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Há pouco, no carro de Silvia ocorreu mais ou menos o seguinte diálogo quando comecei a acariciar o ombro dela:

– Não põe a mão na mamãe – Clara disse com ciúmes.
– Por que, filha? – Silvia perguntou.
– Papai é safado. Safadinho.
– Aí você tem razão, filha.

Já estou desmoralizadolaughing

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A Segurança do Pai III

Criado: Sexta, 07 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

Vinha pensando que Clara estava deixando de gostar de andar no meu colo enquanto Silvia conduz minha cadeira de rodas. Porém, na terça-feira, ao sair do carro ela falou “adoro o colinho do papai” e fiquei todo derretido.

Ontem à noite, quando Silvia foi buscar sua filha mais velha no colégio, inesperadamente Clara optou por ficar em casa sozinha comigo. Como sempre, essa situação me deixou apreensivo e pensando um monte de besteiras, como “o que farei se Silvia sofrer um acidente de trânsito e for hospitalizada (ou algo pior)?”. Ela não me deu trabalho algum, exceto choramingar no momento em eu quis ir ao banheiro e tive de voltar para seu lado – então percebi que não foi com a mãe por sentir-se segura comigo. Não deixei de notar a contradição entre o medo que tenho nessas circunstâncias e a segurança que passo para Clara.

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Entrevista

Criado: Domingo, 02 Junho 2019 Escrito por Ronaldo Correia Junior

A fan page de Rodrigo Mule publicou esta entrevista comigo em 26 de abril.

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