A Incômoda Sexualidade de um Filho com Paralisia Cerebral

Criado: Segunda, 08 Fevereiro 2016 Escrito por Ronaldo Correia Junior

É bem comum mães de pessoas com paralisia cerebral – e outras deficiências –, especialmente as religiosas, pensarem que a finalidade da deficiência seja manter o filho puro, virgem, angelical, assexuado. Quando ainda era católica, às vezes a minha desejava que eu fosse padre – quem me conhece o mínimo pode rir dessa ideia. Após se tornar espírita, passou a argumentar que a espiritualidade tinha dado a PC para me vetar o sexo.

Em meados da década de 1980, fiz o meu primeiro amigo e logo pensamos em este me levar a prostíbulos. Isso tornou muito tenso o relacionamento com minha mãe, que chegou a ameaçar me trancar em casa e eu, retaliar com uma greve de fome. Ela foi se aconselhar com um médium do seu centro espírita, que falou que eu deveria esperar que uma mulher transasse comigo por amor, conselho que considerei idiota, pois minha princesa encantada poderia muito bem nunca aparecer, além de depender da suposição heroica de minhas virgindade e inexperiência sexual não atrapalharem de várias formas a relação com tal mulher. Ela só aceitou que eu transasse doze anos depois, quando em ejaculações involuntárias noturnas meu semem saiu com sangue – a primeira coisa em que pensamos foi câncer de próstata, mas o diagnóstico foi escamação da vesícula seminal por acúmulo de líquido, isto é, falta de sexo.

A ideia de ir a prostíbulos com meu amigo também incomodou muito meu pai, que imaginava que se eu não experimentasse sexo nunca iria querer faze-lo – o mero fato de eu ter tido aquela ideia já demonstra que ele estava enganado. Outro motivo desse incômodo era que ele se sentia no dever de fazer minha iniciação sexual, mas, por algum motivo que desconheço, ficou com aversão a prostíbulos e/ou lidar com prostitutas. Porém, sempre rejeitei ir a tais lugares com ele e tudo que eu queria era que infundisse algum bom senso e flexibilidade na minha mãe.

Hoje, tudo que passei na década de 1980 é muito irônico e até me faz rir, pois, ao menos por enquanto, sou o filho mais “bem casado” e darei uma neta a eles – o que minha mãe me cobrava desde 2004, quando tive outra namorada linda – e, sem a experiência que acumulei muito mais com prostitutas do que com outras mulheres, é bem possível que meu relacionamento com Silvia fracassasse.

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